O deputado federal Fernando Giacobo (PL) foi colocado na vitrine da disputa pelo Palácio do Iguaçu pelo próprio Partido Liberal, que registrou no TSE a pesquisa PR-06254/2026 e marcou a divulgação para sexta-feira (6), num movimento que expõe a briga de régua e compasso do bolsonarismo no Paraná.
O registro informa que o levantamento foi contratado pelo PL nacional, com 1.500 entrevistas presenciais e domiciliares, realizadas entre domingo (1º) e quarta-feira (4), ao custo de R$ 135.050,00, com margem de erro estimada em 2,6 pontos percentuais e 95% de confiança, segundo o cadastro da Justiça Eleitoral que você trouxe.
A entrada de Giacobo no questionário não é detalhe técnico, é recado político. O PL decidiu testar em campo um nome que, até outro dia, aparecia como “problema” no bastidor.
Na segunda-feira (23), o próprio Giacobo disse ao Blog do Esmael que sua eventual candidatura ao governo seria uma peça tática para garantir palanque ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Paraná, caso o governador Ratinho Júnior (PSD) fosse para uma disputa nacional. Ele relatou que a construção estava alinhada com Flávio e com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto (PL).
Na prática, o bolsonarismo já trata como incerto o apoio de Ratinho Júnior no Paraná. O governador não foi ao “Acorda, Brasil” na Avenida Paulista nem ao ato da Boca Maldita, em Curitiba, no domingo (1º), e deixou os conservadores chupando o dedo.
Aí veio o “papelucho” debatido em Brasília e descrito em reportagens como rascunho da cúpula liberal. No Paraná, o documento anotava vetos e preferências e trazia, ao lado do nome de Giacobo, uma frase curta e venenosa, “não pode ser candidato (Valdemar)”. Era a régua do bolsonarismo funcionando no modo cru, quem soma entra, quem divide sai.
O registro no TSE, agora, revela o que interessa de verdade. Quando um partido põe um nome no questionário e paga pesquisa com entrevistador batendo de porta em porta, ele não está “comentando cenário”, está medindo força para decidir corte e montagem de chapa.
O questionário mostra que o PL quer olhar o Paraná por três ângulos ao mesmo tempo.
No Planalto, a Paraná Pesquisas vai apurar voto espontâneo e voto estimulado para presidente, além de simulações de segundo turno, incluindo Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro e Lula contra Ratinho Júnior. É o partido tentando enxergar se o palanque paranaense ajuda ou atrapalha o projeto nacional.
No governo do estado, o instituto testa Giacobo em listas diferentes e inclui um cenário com “Giacobo com apoio do Bolsonaro”, que é a pergunta-chave para o bolsonarismo, não basta o nome existir, precisa transferir liderança, disciplina e voto.
No Senado, o levantamento mede primeiro e segundo voto, já que o Paraná elegerá dois senadores em 2026, e ainda pergunta rejeição, o “não votaria de jeito nenhum”, que costuma dizer mais sobre teto do que sobre largada. A lista inclui nomes do próprio campo conservador e do campo progressista, permitindo ver se a direita consegue, de fato, concentrar voto como pretende.
O pano de fundo é o mesmo que o Blog vem registrando. O bolsonarismo tenta impedir palanques paralelos, reduzir aventura regional e enquadrar líderes locais antes que o jogo exploda. No Paraná, isso vira pressão em cima de nomes, veto em rascunho, teste em pesquisa, e a planilha manda mais do que o discurso.
Portanto, o levantamento da Paraná Pesquisas não é “só mais um registro”. É o PL transformando bastidor em termômetro, com o nome de Giacobo servindo como “arma secreta” para uma pergunta simples e dura: quem carrega o palanque de Flávio no Paraná sem rachar a direita no meio.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




