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Debandada no PL expõe pés de barro de Moro no Paraná

O senador Sergio Moro entrou no PL na terça-feira (24) para dar ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) um palanque musculoso no Paraná. Em dois dias, a operação desandou. Pela contagem do Blog do Esmael, 49 dos 53 prefeitos do partido debandaram depois da filiação do ex-juiz. A conta política saiu cara já na largada.

Na quinta-feira (26), o deputado federal Fernando Giacobo deixou o comando estadual da sigla e reuniu os prefeitos do PL no ato da ruptura, em Curitiba. Marcel Micheletto, prefeito de Assis Chateaubriand e presidente da AMP (Associação dos Municípios do Paraná), disse que a tendência era a saída de todos. Não se trata de fofoca de diretório. Trata-se da base municipal da direita escolhendo outro endereço.

Moro chegou com a bênção da cúpula nacional do PL, foto de filiação, promessa de apoio de Flávio e discurso de pré-candidato ao governo. Faltou o principal: chão. No Paraná, prefeito não entra em fila para bater palma em arranjo de Brasília. Prefeito vai para onde enxerga poder, abrigo e futuro. Dessa vez, foi para a órbita do governador Ratinho Junior (PSD).

Aí aparecem os pés de barro de Moro. Ele vende presença nacional, mas não segurou a engrenagem municipal do partido no estado. A filiação que deveria consolidar a direita paranaense abriu uma fenda entre a cúpula bolsonarista e o interior. Giacobo saiu. Os prefeitos foram atrás. Ratinho ficou com a parte viva da máquina.

Esse racha bate em cheio no projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. O plano era simples: Moro no Palácio Iguaçu, Flávio no Planalto e o Paraná funcionando como vitrine da direita. Agora, o mais provável é outra cena em 2026: um palanque de Moro, outro do grupo de Ratinho. Campanha presidencial cresce com unidade. Divisão drena voto, estrutura e tempo de televisão informal, aquele que corre por prefeito, vereador, liderança local e cabo eleitoral.

Ratinho já havia preferido preservar o próprio território a embarcar numa aventura presidencial sem garantia de pouso. Com a debandada no PL, essa escolha ganhou peso novo. O governador luta para controlar sua sucessão e viu Moro chegar menor ao jogo estadual. Flávio, que esperava herdar um palanque parrudo no Paraná, pode acabar recebendo um estado rachado ao meio.

No fim, a filiação de Moro ao PL não mostrou ascensão. Mostrou derretimento. O ex-juiz entrou no partido para liderar a direita no Paraná e saiu dos primeiros dias cercado por uma fuga em massa. Na política, há atos que ampliam. Este encolheu. E encolheu no terreno que mais pesa em eleição: o interior.

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