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Indicados por Haddad votaram com Campos Neto, contra Lula; petistas criticam Copom por manter taxa de juros Selic em 10,50%

Conselheiros Gabriel Muricca Galípolo, Ailton de Aquino Santos, Rodrigo Teixeira e Paulo Picchetti foram nomeados em julho do ano passado pelo presidente Lula

Blog do Esmael, de Brasília – A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 10,50% ao ano gerou uma onda de críticas no meio político,nesta quarta-feira (19/6), especialmente entre os membros do Partido dos Trabalhadores (PT). Na terça-feira (18/6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em uma entrevista à rádio CBN, apontando a falta de autonomia e a orientação política do chefe da autarquia.

O Copom, formado pelo presidente do Banco Central e oito diretores, decidiu de forma unânime interromper o ciclo de cortes na taxa básica de juros que havia começado em agosto de 2023. Durante este período, a Selic caiu de 13,75% para 10,50%. A manutenção da taxa no atual patamar foi justificada pelo comitê devido ao cenário inflacionário ainda incerto, que exige cautela na condução da política monetária.

Note o caro leitor que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também do PT, não se manifestou [até o fechamento desta matéria] e seus indicados para o Copom igualmente votaram pela manutenção da taxa Selic. Os conselheiros Gabriel Muricca Galípolo, Ailton de Aquino Santos, Rodrigo Teixeira e Paulo Picchetti foram nomeados pelo presidente Lula. Ou seja, os conselheiros de Haddad votaram contra a orientação do governo Lula e o PT. O Copom possui 9 conselheiros.

O presidente Lula elevou o tom contra o Banco Central nos últimos dias, criticando a postura da instituição. Em suas palavras, “Um presidente do BC que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político, e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar do que para ajudar o país”.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), presidenta nacional do PT, também manifestou seu descontentamento. Segundo Gleisi, “Não há justificativa técnica, econômica e muito menos moral para manter a taxa básica de juros em 10,5%, quando nem as mais exageradas especulações colocam em risco a banda da meta de inflação. E não será fazendo o jogo do mercado e dos especuladores que a direção do BC vai conquistar credibilidade, nem hoje nem nunca”.

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O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) igualmente reagiu à decisão do Copom. Para ele, a manutenção da Selic em 10,50% representa uma decisão “lamentável” e “mais lamentável ainda ter sido por unanimidade” – sem citar os conselheiros indicados por Haddad e nomeados pelo presidente Lula.

Desde a semana anterior à reunião do Copom, o mercado financeiro ajustou suas expectativas, abandonando a previsão de corte na taxa de juros. As instituições financeiras, conforme o relatório “Focus” do Banco Central, projetam que a Selic permanecerá estável em 10,50% ao ano até o final de 2024.

O Copom apontou que tanto os riscos internos quanto os externos continuam a pressionar a inflação. O comunicado destacou “uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada”. Além disso, o comitê avaliou que as condições econômicas ainda requerem uma postura cautelosa na política monetária.

As críticas ao Banco Central por parte do presidente Lula e outros membros do PT refletem uma insatisfação com a política monetária atual. Lula afirmou que “Só temos uma coisa desajustada neste país: é o comportamento do Banco Central. Até o momento, o Banco Central não respondeu oficialmente às críticas feitas pelo presidente.

O Copom ainda terá mais quatro reuniões em 2024 para definir a taxa Selic. As datas das próximas reuniões são: 30 e 31 de julho, 17 e 18 de setembro, 5 e 6 de novembro, e 10 e 11 de dezembro.

A decisão unânime do Copom de manter a taxa Selic em 10,50% ao ano revelou um descompaso entre o que pensa o presidente Lula e o minsitro da Fazenda, Fernando Haddad, que indicou os dois conselheiros do Copom que votaram junto com Campos Neto. Portanto, a pergunta é: qual será a reação de Lula, irá demitir Haddad ou deixará por isso mesmo? A conferir.

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