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Deputados estendem foro privilegiado a presidentes de partidos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16) a chamada PEC da Blindagem, que dificulta prisões e amplia o foro privilegiado.

Além de blindar parlamentares, a proposta garante o benefício a presidentes de partidos com representação no Congresso.

O texto, relatado pelo deputado Claudio Cajado (PP-BA), prevê que deputados e senadores só poderão ser alvo de medidas cautelares do STF mediante autorização da Câmara ou do Senado.

A regra se estende mesmo após o fim do mandato, caso o fato tenha ocorrido durante o exercício do cargo.

A novidade foi a inclusão dos dirigentes partidários nacionais no rol de autoridades beneficiadas pelo foro.

Veja os principais pontos da nova versão da PEC da Blindagem

  • A Câmara ou o Senado terão que autorizar a abertura de ação penal contra deputados, senadores e presidentes de partidos.
  • Parlamentares seguem sendo julgados exclusivamente pelo STF em processos criminais.
  • Prisão só será possível em flagrante de crime inafiançável (racismo, tortura, terrorismo, tráfico de drogas etc.).
  • Em caso de flagrante, os autos devem ser enviados em até 24h ao STF e à respectiva Casa, que deverá decidir por maioria absoluta se mantém a prisão.
  • Caso a Casa negue a licença, a prisão fica automaticamente suspensa durante o mandato.
  • A proposta também reforça que o presidente da República, o vice, os presidentes da Câmara e do Senado e ministros do Congresso Nacional seguem sendo julgados pelo STF em infrações penais comuns.

Essa ampliação foi alvo de críticas de partidos de oposição, como o Novo, que apresentou destaque para retirar o dispositivo.

Já a federação Psol-Rede questionou a exigência de votação secreta para manter prisões em flagrante.

O artigo 102 da Constituição passaria a prever julgamento no STF para presidentes da República, do Congresso, do Supremo e também líderes nacionais de partidos.

Cajado defendeu o texto afirmando que prerrogativas não significam impunidade, mas garantia do exercício político em nome da soberania popular.

A aprovação ocorre em meio ao clima de tensão provocado pela pressão bolsonarista pela anistia aos condenados do 8 de janeiro.

Enquanto isso, governistas alertam que blindar políticos sem fortalecer a democracia soa como deboche.

Para setores do Planalto, há risco de o Congresso virar escudo contra a Justiça, corroendo a confiança pública.

O texto que beneficia os presidentes de partido ainda precisará ser votada em segundo turno na Câmara e, depois, encaminhado ao Senado.

A anistia deve ser analisada em reunião de líderes nesta quarta-feira (17).

Entretanto, a prerrogativa não é sinônimo de imunidade.

Estender foro a presidentes de partidos, no contexto atual, aumenta a sensação de privilégio e descolamento da classe política em relação ao povo.

Cabe vigilância e pressão social para que a democracia não seja rifada em acordos de ocasião.

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