Paulo Martins no Novo embaralha a sucessão no Paraná

O tabuleiro político do Paraná ganhou uma peça inesperada. O atual vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, confirmou que está de malas prontas para o partido Novo, reorganizando os bastidores da sucessão ao governo do estado em 2026.

Martins, que quase venceu a disputa pelo Senado em 2022 pelo PL, agora se alinha ao consórcio que controla o Novo no Paraná: o ex-deputado cassado e ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo), o governador Ratinho Júnior e o prefeito da capital, Eduardo Pimentel, ambos do PSD.

Há tempos, Paulo Martins e o deputado Filipe Barros não falam a mesma língua dentro do PL paranaense. Aliás, Barros também sonha trocar a Câmara pelo Senado, a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que acirra ainda mais a disputa no campo conservador.

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Bolsonaro “exige” que Filipe Barros concorra ao Senado nas eleições 2026. Foto: reprodução/Instagram

O Novo, antes tratado como nanico, ganhou peso político e administrativo no Paraná como nunca antes. Além de comandar a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania no governo Ratinho, o partido também articula presença em espaços estratégicos da máquina estadual e nas alianças que se desenham para 2026.

Na capital, onde Martins é vice-prefeito, o Novo emplacou na gestão de Eduardo Pimentel a vereadora Amália Tortato, agora no comando da Secretaria de Desenvolvimento Humano.

Nos corredores do Centro Cívico, sede do poder político paranaense, o movimento é visto como um lance estratégico do núcleo governista para conter o avanço de Sergio Moro. O senador do União Brasil lidera as pesquisas para o Palácio Iguaçu e, até aqui, navega sem grandes adversários à direita.

O que está por trás da fórmula que pode isolar Sergio Moro

Senador Sergio Moro fica em silêncio e não responde 201 perguntas.
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A articulação prevê Paulo Martins candidato ao governo, com a bênção de Ratinho Júnior e o respaldo do Novo. De quebra, o plano reserva ao secretário das Cidades, Guto Silva, a vaga de vice, reforçada pelas aparições no programa de TV do Ratinho pai.

Na costura, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi (PSD), entraria na disputa pelo Senado, completando o arranjo.

Dallagnol, por sua vez, sonha com a segunda vaga ao Senado. O problema, segundo especialistas do direito eleitoral, é que o ex-deputado cassado deve seguir inelegível nas eleições de 2026.

Para os estrategistas, a chapa tem dois objetivos claros: manter o controle do governo estadual no campo conservador e esvaziar o capital político de Moro, cuja relação com o clã Ratinho segue marcada por desconfiança e disputas subterrâneas.

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O problema é que esse arranjo, costurado no núcleo duro do governo, bagunça a trincheira governista e deixa uma fila de nomes fortes à deriva. Figuras como o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD), o secretário da Saúde, Beto Preto (PSD), e o secretário da Infraestrutura, Sandro Alex, observam o tabuleiro se reorganizar sem que seus espaços estejam garantidos.

Nesse desenho, a princípio, o vice-governador Darci Piana (PSD) assumiria o comando do Paraná por cerca de nove meses, entre abril de 2026 e janeiro de 2027. Isso porque Ratinho Júnior deve deixar o cargo para disputar a Presidência da República ou buscar uma vaga no Senado.

Com Paulo Martins favorito ao governo, a vice na conta de Guto Silva e o Senado desenhado para Alexandre Curi, sobra pouco espaço para os aliados tradicionais. Na prática, esses líderes terão de buscar refúgio em outras plagas — partidos, alianças ou candidaturas paralelas — se quiserem sobreviver politicamente à tempestade eleitoral que se anuncia.

O clima nos bastidores é de apreensão. Com espaço reduzido e poucas garantias, cresce o risco de rachaduras no próprio campo governista, justamente quando o objetivo central seria isolar Sergio Moro e manter o controle do Palácio Iguaçu.

PT e centro-esquerda assistem à distância

Da esqueda para direita: Laerson Matias (PSOL), Sergio Marangoni (Rede), Arilson Chiorato (PT), Luciano Ducci (PSB), Elton Barz (PCdoB), Goura (PDT) e Raphael Rolim Moura (PV).
Da esqueda para direita: Laerson Matias (PSOL), Sergio Marangoni (Rede), Arilson Chiorato (PT), Luciano Ducci (PSB), Elton Barz (PCdoB), Goura (PDT) e Raphael Rolim Moura (PV).

Enquanto a direita define seus movimentos, o campo progressista ainda patina. O PT, maior partido da esquerda, vive uma disputa interna que só deve ser resolvida no próximo domingo (6), com as eleições internas do PED 2025, que definem comandos municipais, estaduais e nacional.

Na prática, a falta de unidade no campo de centro-esquerda favorece o avanço da chamada “direita civilizada”, como ocorreu em eleições anteriores em Curitiba e outras capitais.

O risco de repetição desse cenário em 2026 é real, caso não surja um grande fato político capaz de reorganizar o tabuleiro.

O Blog do Esmael segue atento aos bastidores e às manobras que definem o futuro político do Paraná.

One Reply to “Paulo Martins no Novo embaralha a sucessão no Paraná”

  1. Primeiramente, Deltan não está inelegível, teve apenas seu registro de candidatura cassado ( se atente aos fatos verídicos), Novo sabe que o mesmo teria sua vaga garantida ao senado, mas pretende colocá-lo como puxador de votos em uma chapa de deputados federais (ao meu ver um erro, dentro do cenário nacional que precisa colocar maioria da direita no senado), Quanto a Martins que também teria sua vaga garantida no senado, onde temos sua provável vinda ao Partido Novo configurada depois de vários e sucessivos erros de Giacobo e Barros frente ao PL (Quase um PSDB nativo e natimorto), que no tabuleiro político de 2024 chegaram a colocar sindicalistas como presidentes municipais da sigla e coligação com partidos de esquerda, visando manter seus currais eleitorais; Martins no Paraná é muito maior que o PL ( que fique claro no Paraná!) e também é a cara da direita tradicionalista que ainda somaria e “muito” com projeto nacional de Ratinho Júnior, além de ser homem de confiança e amigo pessoal do atual governador, fato este que o credencia como número um na lista da Família Massa! quanto ao candidato ao senado Filipe Barros, escrevam: não vingará, falta-lhe representatividade e molho político (tímido demais) para empolgar a direita nativa………

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