O juiz de Garantias Especializado em Delitos Econômicos do Paraguai, Humberto Otazú, decretou a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña Palacios neste sábado, 7 de novembro de 2026. A decisão foi tomada ao fim da audiência de imposição de medidas, da qual o ex-presidente saiu direto do Palácio de Justiça de Assunção para o Regimento Escolta Presidencial, na Avenida Mariscal López com a Avenida General Santos.
Otazú justificou a medida pela necessidade de garantir que Peña permaneça no país e pelo risco de obstrução da investigação. Segundo o juiz, pesou o volume de informação que o ex-presidente teve acesso como chefe de Estado, inclusive sobre a trama do caso Ueno Bank e sobre informações relativas ao crime organizado.
Peña foi imputado por suposto abuso de confiança e administração em proveito próprio no caso do Ueno Bank, instituição cuja quebra desencadeou a crise financeira e política que terminou com sua destituição pelo Congresso em 6 de novembro. Na audiência, ele se absteve de declarar.
A defesa contesta os fundamentos da preventiva. O advogado Ricardo Preda afirmou que não existem os pressupostos de risco de fuga nem de obstrução, com o argumento de que seu cliente já não ocupa a Presidência. Preda disse que vai analisar a decisão escrita e depois decidir se apresenta apelação, e sustentou que o processo terminará com a absolvição de Peña, por falta de participação dele nas operações do banco e nos depósitos de instituições públicas na entidade.
A escolha do Regimento Escolta Presidencial como local da custódia foi tratada pelo defensor como adequada, por ser a unidade que faz a segurança da Presidência. A instalação deixou de ser apenas o local de transferência por segurança noticiado na véspera: com a decisão de Otazú, passou a ser o endereço da prisão preventiva do ex-presidente.
O caso tramita em um juizado especializado em delitos econômicos e envolve ainda a cúpula do Banco Central paraguaio. A Procuradoria sustentou na sexta-feira que Peña poderia fugir e que outro investigado poderia ocultar provas.
Com a destituição, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a presidência e conclui o mandato que iria até agosto de 2028. Integrante histórico do Partido Colorado, ele governa o Paraguai enquanto o antecessor responde ao processo, situação inédita no país.
O Paraguai é sócio do Brasil no Mercosul e faz fronteira com o Paraná em Foz do Iguaçu, por onde passam compras, turismo e transporte de cargas. A instabilidade política do vizinho interessa diretamente ao comércio da região.
Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.

