O empresário Elon Musk, dono do X (antigo Twitter) e da Tesla, insiste em uma disputa que sabidamente ele perde para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, se pergunta: “por que o bilionário esmurra a ponta da espada” se seria uma batalha perdida para o sul-africano?
A resposta pode estar na manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelo pastor Silas Malafaia, no próximo dia 21 de abril, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A extrema direita quer fortalecer Bolsonaro etiquetando o presidente Lula como “ditador”, bem como as instituições brasileiras, a exemplo do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Trata-se de uma retórica que será utilizada na campanha presidencial americana, entre Joe Biden e Donald Trump, em novembro. Musk, militante trumpista, quer mostrar o Brasil como ameaça, enquanto Biden pretende revelar o país verde-amarelo como exemplo no combate ao golpismo.
Não é à toa que Elon Musk vem aumentando o tom das críticas a Alexandre de Moraes em sua plataforma de mídia social, X. Musk questionou por que Moraes “exige tanta censura no Brasil” e intensificou suas críticas ao longo de 48 horas. Em resposta, Moraes ordenou a abertura de uma investigação sobre a conduta de Musk.
Musk também fez comentários sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sugerindo um suposto conluio entre Moraes e o chefe do executivo. Musk referiu-se a Moraes como um “ditador” e sugeriu que Moraes mantém Lula “na coleira”.
Esta disputa foi noticiada pela mídia internacional.
Se a bola da vez é a suposta “ditadura” de Moraes e Lula, combustível para a convocação da manifestação bolsonarista daqui a 10 dias, lembra-se que em fevereiro a Avenida Paulista foi palco de manifestações por Israel.
O presidente Lula comparou a ação de Israel na Faixa de Gaza à perseguição de Hitler aos judeus, e isso serviu para incitar os movimentos neopentecostais e evangélicos a saírem às ruas contra o petista.
Neste sentido, as críticas de Musk ao ministro Alexandre de Moraes e seus comentários sobre Lula contribuem para a atmosfera carregada em torno do próximo comício no Rio.
O envolvimento de Elon Musk na promoção do comício de 21 de abril no Rio tem motivos políticos relacionados com o reforço da imagem de Bolsonaro e a retratação negativa de Lula. Isto está alinhado com a polarização em curso na política brasileira, como pode ser visto na rotulagem de Lula como um “ditador” de esquerda.
Portanto, o roteiro de 21 de abril é o mesmo utilizado para chamar os bolsonaristas e lavajatistas no 25 de fevereiro, na Avenida Paulista, em São Paulo. Só muda o local.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




