Moro se filia ao PL e abre confronto da direita no Paraná

O senador Sergio Moro (PL-PR) e a deputada federal Rosangela Moro (PL-SP) formalizaram nesta terça-feira (24), em Brasília, a filiação ao Partido Liberal, em ato com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e outros líderes do campo bolsonarista. O movimento confirma a guinada de Moro para o partido de Jair Bolsonaro e coloca o Paraná no centro da estratégia do PL para 2026.

A filiação não é só troca de legenda. Ela fecha uma travessia política que o Blog do Esmael já vinha acompanhando e consolida um novo arranjo na direita paranaense. Com Moro dentro do PL, o partido deixa de gravitar em torno de uma composição incerta com o governador Ratinho Junior (PSD) e passa a trabalhar com candidatura própria ao Palácio Iguaçu, tendo o ex-juiz como nome de ponta e Rosangela embarcada no mesmo projeto.

No discurso, Moro tratou o Paraná como vitrine nacional do plano bolsonarista. Disse que o estado será a “fortaleza” do grupo, falou em continuidade do que considera acertos do governo Ratinho Junior e acenou com um “governo de excelência, de mudança”. Também agradeceu publicamente a Flávio Bolsonaro e a Valdemar Costa Neto pelo apoio nesse novo ciclo.

Na prática, ao poupar Ratinho, o senador Sergio Moro lançou o slogan de pré-campanha ‘manter o que é bom e fazer o que nunca foi feito’ no Paraná. Além disso, revela que o ex-juiz ainda sonha com o apoio do governador para chegar ao Palácio Iguaçu.

A fala mais reveladora veio justamente no desenho do projeto. Moro vinculou o futuro do Paraná ao plano presidencial de Flávio Bolsonaro e indicou que pretende transformar a disputa estadual em palanque nacional. O recado foi direto: a operação de 2026 no estado não será isolada, mas parte de uma engrenagem maior da direita.

Flávio, por sua vez, retirou qualquer ambiguidade sobre o papel de Moro na chapa majoritária paranaense. Em público, referiu-se a ele como futuro governador do Paraná. O gesto tem peso político porque sela o aval do clã Bolsonaro a uma candidatura que, até pouco tempo, convivia com atritos históricos dentro do próprio bolsonarismo desde que Moro deixou o Ministério da Justiça em 2020

Na época, o senador rompeu com Jair Bolsonaro acusando o então presidente de interferir na Polícia Federal, virou alvo do bolsonarismo nas eleições de 2022, com pedido de cassação no TSE, e agora retorna ao mesmo campo político ao ingressar no partido comandado por Valdemar Costa Neto e liderado pela família Bolsonaro. A filiação ao PL mostra que a disputa de 2026 pesou mais que o histórico de conflitos e que, no Paraná, o ex-juiz decidiu apostar na força eleitoral do bolsonarismo para viabilizar a candidatura ao governo do estado.

Rosangela Moro acompanhou a mudança e reforçou o alinhamento com o novo campo partidário. A entrada simultânea do casal no PL mostra que a operação foi desenhada como reposicionamento conjunto, não como movimento isolado do senador. Segundo relatos ao Blog do Esmael, ela também discursou no evento e associou o Paraná ao projeto político liderado por Flávio Bolsonaro.

O ato também serviu para exibir a coalizão que o PL tenta montar no Paraná. O partido apresentou o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) como pré-candidato ao Senado e recebeu o apoio de Deltan Dallagnol (Novo), que entrou no palanque como aliado de Flávio Bolsonaro e de Moro. Com efeito, a legenda tenta empilhar num mesmo campo a candidatura ao governo e duas vagas competitivas ao Senado.

Note, caro leitor, que Cristina Graeml (União Brasil), nome de peso da direita em Curitiba, sobrou nesse novo arranjo. Embora continue se dizendo pré-candidata ao Senado, a unidade costurada por Moro com o PL e seus aliados empurrou a jornalista para a lateral do projeto bolsonarista no Paraná.

Esse redesenho pressiona diretamente o grupo de Ratinho Junior. Ao lançar Moro no próprio campo e amarrar a operação ao projeto presidencial de Flávio, o PL deixa de ser parceiro potencial do governador e vira adversário com musculatura nacional, narrativa pronta e base militante consolidada. No Paraná, a disputa da direita saiu da especulação e ganhou endereço.

O Blog do Esmael apurou que o Centro Cívico segue em ebulição após o cavalo de pau do governador do Paraná. Uma ala ainda aposta que Ratinho insistirá numa recomposição para manter influência sobre o campo conservador. Outra, mais resignada, trabalha com um desenho de contenção: empurrar a sucessão com a barriga até julho e, se Moro chegar inteiro à convenção, negociar Guto Silva (PSD) como vice na chapa do senador e Alexandre Curi (PSD) para o Senado. Nesse roteiro, Rafael Greca (MDB) também perderia espaço, ficaria para trás, com vantagem interna para Filipe Barros no campo bolsonarista.

A presença da prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (União Brasil), no evento também ajuda a medir a costura regional em andamento. Elizabeth já havia aparecido ao lado de Moro em agenda política recente nos Campos Gerais, o que dá força à tentativa de ampliar a rede de apoios do senador para além de Curitiba e da bolha lavajatista.

No fim, a filiação de Sergio Moro e Rosangela Moro ao PL reorganiza o campo conservador no Paraná e transforma a sucessão de 2026 numa disputa frontal entre projetos que até ontem ainda ensaiavam convivência. Agora, o bolsonarismo paranaense escolheu lado, nome e palanque.

Ratinho Júnior, por sua vez, continua como espectador de sua sucessão. Triste fim. Segundo relatos desta terça, após a renúncia ao projeto presidencial, nem cafezinho quente estão servindo ao governador no Palácio Iguaçu.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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