Moro confirma previsão do Blog e implode a direita no Paraná

O senador Sergio Moro (PL) mal assinou a ficha no Partido Liberal, na terça-feira (24), e já confirmou na prática a análise publicada pelo Blog do Esmael em 12 de fevereiro. Naquele texto, o blog alertou que sua entrada no PL tinha alto risco de implodir a direita no Paraná, porque juntaria num mesmo palanque dois campos que vinham se hostilizando havia anos: o bolsonarismo local e o lavajatismo morista. Também lembrou que o PL paranaense, então comandado por Fernando Giacobo, carregava histórico de confronto com Moro e estava mais alinhado ao grupo do governador Ratinho Junior (PSD) do que ao ex-juiz.

Dito e feito. Em 18 de março, a cúpula do PL rompeu com Ratinho e decidiu apoiar Moro ao Palácio Iguaçu para fortalecer o palanque presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no estado. Segundo o blog, em abril do ano passado, o entendimento anterior era outro: o PL apoiaria o nome indicado por Ratinho ao governo do Paraná, enquanto o governador daria suporte à candidatura de Filipe Barros (PL) ao Senado. A filiação foi oficializada em Brasília na terça-feira (24), ao lado de Flávio e do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.

O primeiro estilhaço atingiu Cristina Graeml (União). No ato de estreia no novo partido, Moro apareceu bancando Filipe Barros e Deltan Dallagnol (Novo) para o Senado, empurrando para fora da foto a jornalista que vinha sendo tratada como nome natural desse campo para uma das duas vagas de 2026. O recado foi público, direto e sem espaço para dúvida.

O segundo estrago veio de dentro do próprio PL. Horas depois da filiação de Moro, Fernando Giacobo deixou a presidência estadual e se desfiliou da legenda para manter apoio a Ratinho Junior. Na sequência, Valdemar entregou o comando do partido a Filipe Barros. Giacobo ainda convocou prefeitos e lideranças para um encontro nesta quinta-feira (26), às 10h, no Hotel SJ Royal, no Centro Cívico de Curitiba. A saída do deputado não deve ser caso isolado e que há uma debandada em curso no PL.

Na apuração do Blog do Esmael, a expectativa levada para esse encontro é ainda mais devastadora: 48 dos 55 prefeitos do PL no Paraná devem deixar a sigla. Se esse número se confirmar, a filiação de Moro deixará de ser apenas um constrangimento interno para virar baixa estrutural no partido.

O pano de fundo é ainda mais corrosivo porque mexe com a memória recente do bolsonarismo. Em 2021, Flávio Bolsonaro chamou Moro de “traidor” no ato de filiação de Jair Bolsonaro ao PL. O próprio Moro, em 2022, atacava Valdemar Costa Neto como um dos homens que mandavam no governo Bolsonaro e lembrava sua condenação no mensalão.

Em entrevista ao Blog do Esmael, Giacobo resumiu a ruptura com uma palavra, coerência. Para ele, não fazia sentido permanecer num partido que agora acolhe quem acusou Bolsonaro de interferir na Polícia Federal, ajudou a alimentar o vocabulário do “gabinete do ódio” e disparou críticas pesadas contra o próprio Valdemar.

É por isso que o Blog do Esmael pode dizer, sem rodeio, que acertou. O diagnóstico de 12 de fevereiro não era chute, nem torcida. Era leitura política. Moro entrou no PL para salvar a própria candidatura depois do cerco na federação União Progressista, mas o custo da manobra começou a aparecer no mesmo dia da filiação. Rifou Cristina, derrubou Giacobo, transferiu o partido para Filipe Barros e abriu a porta de saída para prefeitos que estavam com o pé no governo Ratinho.

No Paraná, a operação vendida como demonstração de força nasceu com cheiro de desmanche. E, quando um partido ganha um candidato ao governo perdendo a própria tropa, o nome disso não é expansão. É implosão.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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