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Moraes investiga Eduardo Bolsonaro nos EUA
O Supremo Tribunal Federal abriu um novo inquérito contra Eduardo Bolsonaro, desta vez com foco em sua atuação internacional contra instituições brasileiras. A decisão do ministro Alexandre de Moraes atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República e escancara a escalada de tensões entre o bolsonarismo e o Judiciário.
Desde fevereiro, Eduardo está nos Estados Unidos, onde conduz uma espécie de cruzada internacional contra ministros do STF, membros da Polícia Federal e procuradores da República. Segundo a PGR, há provas suficientes — vídeos, postagens e entrevistas — que indicam um “tom intimidatório” e uma “motivação retaliatória” nas ações do deputado licenciado.
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STF e PGR apontam tentativa de intimidação institucional
A ofensiva judicial, relatada por Moraes, não é um ato isolado. Ela se soma ao inquérito das fake news e à ação penal sobre a tentativa de golpe em 2022, ambos já sob responsabilidade do ministro.
O novo inquérito, porém, traz um ingrediente inédito: a projeção internacional do conflito. A PGR identificou nas falas de Eduardo uma ameaça não apenas às autoridades, mas também a seus familiares — o que, na visão da instituição, ultrapassa os limites da liberdade de expressão.
Jair Bolsonaro também é convocado
Na mesma decisão que autorizou a investigação, Moraes determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro preste esclarecimentos formais. O motivo: ele declarou ser o responsável financeiro pela estadia do filho nos Estados Unidos, o que pode configurar benefício direto de uma conduta ilegal.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro foi autorizado a depor por escrito — uma medida que preserva sua ausência física do país, mas mantém a investigação em andamento.
Pressões internacionais complicam cenário
A polêmica atravessou fronteiras. Na última quarta-feira, durante audiência no Congresso dos EUA, o senador republicano Marco Rubio ventilou a possibilidade de sanções contra Alexandre de Moraes. A menção ocorreu após questionamentos de Cory Mills, deputado aliado de Donald Trump, que classificou as ações do ministro como “perseguição política”.
Os Estados Unidos poderiam acionar a Lei Global Magnitsky, que prevê punições severas a autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos ou se envolver em corrupção. Moraes, se enquadrado, poderia sofrer:
- Bloqueio de bens e contas sob jurisdição americana
- Cancelamento de vistos e entrada proibida nos EUA
- Suspensão de contas e serviços digitais ligados a empresas norte-americanas
Escalada política com risco jurídico
Eduardo Bolsonaro lidera as pesquisas para o Senado em São Paulo, mas sua permanência na corrida de 2026 está cada vez mais incerta. Autoexilado, ele arrisca ficar inelegível, especialmente se for condenado por ameaças institucionais ou obstrução da Justiça.
A convocação de Jair Bolsonaro, por sua vez, adiciona uma nova camada à já complexa rede de inquéritos em que o ex-presidente figura. Embora seus aliados denunciem perseguição, o Supremo segue ampliando o cerco com base em elementos concretos apresentados pela PGR.
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Um novo estágio do embate
A decisão de Moraes marca um novo estágio do embate entre o STF e a ala radical do bolsonarismo. Ao convocar pai e filho para esclarecer ameaças que reverberam em território estrangeiro, o Judiciário envia uma mensagem: não há fronteiras para a responsabilização institucional.
No Blog do Esmael, seguimos acompanhando, passo a passo, os desdobramentos dessa nova frente judicial — e os impactos diretos na eleição de 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




