O presidente Donald Trump, sempre imprevisível, lançou mais um episódio explosivo no roteiro da guerra comercial: suspendeu por 90 dias as tarifas recíprocas sobre dezenas de países, mantendo a mão pesada apenas sobre a China. Resultado? Os mercados respiraram aliviados e tiveram o melhor desempenho em mais de uma década.
O S&P 500 disparou 9,5%, enquanto o Nasdaq subiu incríveis 12,1% — maior salto desde 2001. O alívio também chegou ao Brasil: o dólar caiu para R$ 5,84 e a Bolsa de Valores subiu 3,11%.
A decisão, anunciada na Truth Social, pegou até o Congresso americano de surpresa. Foi uma tentativa clara de evitar o colapso iminente após dias de perdas trilionárias nos mercados globais.
Analistas veem no movimento um típico “dois passos pra frente, um pra trás” da cartilha trumpista. O presidente americano bate, provoca caos — e depois negocia. Foi assim com a China, agora com o resto do mundo.
Mas há também pressão interna. Wall Street sinalizou risco real de recessão. O Goldman Sachs chegou a prever retração da economia dos EUA. Horas depois do recuo de Trump, o banco voltou atrás. Coincidência?
Falas que incendiaram o debate
- “Isso é a capitulação de Trump aos mercados” — Andy Brenner, da NatAlliance
- “Os dias de exploração dos EUA acabaram” — Trump na Truth Social
- “Vamos usar todas as palavras de negociação que o dicionário permitir” — Lula na Celac
A história nos mostra que guerras comerciais são como xadrez jogado com bombas: não há ganhadores. A crise de 1929 teve elementos semelhantes — protecionismo, colapso de mercados e recessão global. Em 2018, Trump já havia testado essa estratégia, mas agora o cenário é ainda mais instável.
A resposta chinesa, com tarifas de 84% e retaliações duras a empresas americanas, mostra que o jogo está longe de terminar. E a União Europeia, que também retaliou, traz um tempero extra ao caldeirão geopolítico.
Com o alívio momentâneo, o Brasil — que estava na mira do tarifaço com taxa extra de 10% — ganha tempo. Mas o estrago à balança comercial já começou. O próprio Lula alertou: “Guerras comerciais não têm vencedores”.
Na prática, o Brasil precisa decidir: vai para o embate na OMC ou aposta no diálogo? A retórica diplomática de Lula na Celac aponta para a segunda via, mas sem descartar a reciprocidade.
“Ou a gente vai brigar na OMC, ou vai dar o troco. É questão de dignidade” — Lula
Tudo sobre o tarifaço de Trump
O que levou Trump a recuar nas tarifas?
O colapso dos mercados após o tarifaço e a pressão de investidores fizeram Trump pausar tarifas por 90 dias para a maioria dos países, exceto China.
Como o recuo de Trump afeta o Brasil?
Reduz o impacto imediato sobre exportações brasileiras e alivia o dólar, mas o país segue sob tarifa extra de 10%.
Quais países ainda sofrem tarifas?
China (125%), Brasil (10%), UE (10%) e outros 56 países. Canadá e México foram isentos.
O que Lula disse sobre a guerra comercial?
Criticou o tarifaço na Celac e prometeu reciprocidade se o Brasil continuar sendo prejudicado pelas medidas dos EUA.
A guerra comercial acabou?
Não. A trégua é parcial e temporária. A tensão com a China continua, e novos episódios são esperados nas próximas semanas.
A suspensão das tarifas pode acalmar os mercados no curto prazo, mas a guerra está longe do fim. A volatilidade continua sendo a regra e o mundo aguarda os próximos passos de Trump — imprevisível como sempre.
De um lado, países tentam evitar uma recessão global. De outro, Trump usa o comércio como arma de barganha política.
A próxima jogada já está no tabuleiro. E o mundo assiste de olhos arregalados. Acompanhe pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




