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Lula critica demora do Ibama e defende exploração da Foz do Amazonas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a pressionar publicamente o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para liberar estudos de viabilidade técnica da Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas. Em entrevista à rádio Diário FM, de Macapá, nesta quarta-feira (12), Lula classificou a demora na autorização como um “lenga-lenga” e disse que o Ibama “parece um órgão contra o governo”. [Abaixo, assista a íntegra da entrevista.]

A declaração reabre um debate acirrado dentro do próprio governo, colocando em lados opostos a ala desenvolvimentista e a agenda ambientalista, encabeçada pela ministra Marina Silva (Meio Ambiente).

O que está em jogo na exploração da Foz do Amazonas?

O pedido da Petrobras é para a perfuração de um novo poço na margem equatorial, um estudo prévio essencial para determinar a viabilidade técnica e econômica da exploração de petróleo.

A exploração da região tem sido tratada como estratégica pelo governo, pois pode compensar o declínio esperado da produção do pré-sal na próxima década. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e outros aliados, como Randolfe Rodrigues (PT-AP) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também defendem o projeto.

O embate entre Lula e o Ibama

Ministra Marina Silva e o presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert
Ministra Marina Silva e o presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Na entrevista, Lula deixou claro que deseja levar adiante a exploração, mas ressaltou que o primeiro passo é verificar “se há petróleo e a quantidade”. O Ibama, por sua vez, tem resistido à pressão, sob argumento de que há riscos ambientais graves para a Amazônia e para comunidades indígenas e costeiras.

A ministra Marina Silva reforça que apenas uma análise técnica pode determinar a viabilidade ambiental do projeto. Ela tem o apoio de ambientalistas e da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, que alertam para os impactos do empreendimento em uma das regiões mais sensíveis do planeta.

Transição energética ou dependência do petróleo?

Lula argumenta que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode financiar a transição energética, garantindo recursos para desenvolver fontes renováveis no Brasil. Entretanto, especialistas apontam uma contradição: é possível investir na sustentabilidade enquanto se amplia a exploração de combustíveis fósseis?

O governo também enfrenta pressão internacional. Lula voltou a criticar os países ricos pela falta de apoio financeiro à preservação da Amazônia, citando o presidente dos EUA, Donald Trump, que retirou os EUA do Acordo de Paris. “Pelo comportamento do presidente americano, vai ficar cada vez mais difícil os países ricos se comprometerem a ajudar a salvação do planeta”, afirmou o petista.

Petrobras x Ibama: quem prevalecerá?

A decisão final sobre a exploração da Foz do Amazonas passa pela avaliação técnica do Ibama. A autarquia já negou, em 2023, um pedido similar da Petrobras, alegando riscos ambientais.

Por outro lado, o governo tem meios políticos para pressionar por uma revisão da decisão. O encontro entre o Ibama e a Casa Civil na próxima semana pode ser decisivo para o futuro da exploração petrolífera na região.

A questão ambiental versus econômica continua dividindo o governo. Se Lula dobrar o Ibama, pode abrir precedentes para novos projetos na Amazônia. Se a resistência ambientalista vencer, será uma vitória da ministra Marina Silva. O futuro da Foz do Amazonas ainda está em jogo.

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