Bolsonaro tem condições de seguir preso no 19º Batalhão da PMDF, a chamada Papudinha, segundo laudo médico elaborado por peritos da Polícia Federal e anexado ao Supremo Tribunal Federal. O relatório aponta que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisa de cuidados contínuos, mas que essas exigências são compatíveis com a estrutura do local, o que tende a pesar contra a tese de transferência imediata para hospital e dificulta, politicamente, o pedido de prisão domiciliar “humanitária”.
A perícia foi realizada em 20 de janeiro de 2026, por determinação do ministro Alexandre de Moraes (STF), responsável pela execução da pena, e o documento foi encaminhado para manifestação da Procuradoria-Geral da República e da defesa no prazo de cinco dias.
O núcleo do relatório é direto: as comorbidades “demandam cuidados”, mas “não ensejam, no momento, necessidade de transferência” para hospital, desde que haja controle rigoroso de pressão arterial, hidratação adequada, dieta fracionada, acesso periódico a exames e uso contínuo de CPAP para apneia do sono.
Os peritos também registram risco de eventos como queda e episódios de confusão ligados a medicação caso o preso fique sem observação contínua e pronta resposta médica, ponto que virou munição para os dois lados: para a defesa, é argumento de gravidade do quadro, para a execução penal, é justificativa de reforço de monitoramento dentro do cárcere.
O laudo relata que, em parceria com a Secretaria de Saúde do DF, foi disponibilizado um médico e uma unidade avançada do SAMU com enfermeiro em escala de 24 horas, justamente para garantir resposta rápida às intercorrências.
Bolsonaro, segundo o relatório, afirmou ter percebido melhora no ambiente após a transferência, citando mais espaço para circulação e limpeza “satisfatória”, além de dizer que não se incomoda com ruídos apesar de obras.
A defesa divulgou nota sustentando que o laudo não conclui “de forma expressa” pela permanência na Papudinha, afirmando que o documento apenas descarta internação imediata e condiciona a estabilidade ao cumprimento rigoroso de medidas médicas e assistenciais.
Nos bastidores, o encaminhamento a PGR e defesa sinaliza o rito clássico: Moraes reúne subsídios técnicos para decidir com lastro formal, evitando que o debate vire apenas gritaria de rede social e pressão de rua.
O laudo da PF coloca um freio na narrativa de “incompatibilidade” automática entre doença crônica e regime fechado. O que se exige, numa democracia, é regra clara e tratamento igual, sem privilégio de casta, mas também sem vingança, com garantia de assistência e fiscalização do cumprimento da pena.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




