O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (PSD-SP), anunciou na quarta-feira (25) que deixou a Secretaria de Governo e Relações Institucionais de São Paulo para se dedicar integralmente à articulação eleitoral do partido. Ele disse que o calendário de 2026 tornou incompatível sua permanência no cargo. A mudança desloca o centro da política nacional no fim da tarde porque mexe na sucessão presidencial, na reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e no espaço do governador Ratinho Junior (PSD-PR) dentro da legenda.
Na nota pública, Kassab mandou dois recados de uma vez. O primeiro foi administrativo: saiu do governo. O segundo foi eleitoral: reafirmou o apoio do PSD à recondução de Tarcísio em São Paulo e avisou que, daqui para frente, estará ao lado de militantes, diretórios, prefeitos, governadores, deputados, senadores e pré-candidatos da sigla. Em português claro, Kassab deixou a mesa do Palácio dos Bandeirantes para assumir em tempo integral a engrenagem de 2026.
Isso conversa diretamente com Tarcísio porque o governador paulista já vinha repetindo que seu projeto é a reeleição em São Paulo, não uma corrida ao Planalto, e também vinha fechando a porta para uma alternativa de centro-direita fora da polarização, ao dizer que o cenário nacional está posto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Com Kassab fora do governo, o PSD preserva a aliança paulista, mas ganha mais liberdade para tocar sua própria negociação presidencial sem depender do tempo político de Tarcísio. Esse é o fato novo.
O movimento também atinge Ratinho Junior. Na segunda-feira (23), o governador do Paraná retirou seu nome da disputa interna do PSD e decidiu concluir o mandato até dezembro. Com isso, Kassab perdeu aquele que era tratado por parte do partido como nome preferencial para a corrida presidencial e passou a concentrar a definição entre os governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Eduardo Leite (PSD-RS), com promessa de bater o martelo até o fim de março.
O recuo de Ratinho Junior não o reposicionou como cacique forte do PSD. O efeito foi o oposto. Ele saiu chamuscado da aventura presidencial e voltou ao Paraná com menos controle político do que tinha antes. A prova mais visível está na própria sucessão estadual: até agora, não conseguiu fechar uma chapa competitiva nem impor um nome de consenso ao Palácio Iguaçu. O governador perdeu força no plano nacional e, de quebra, viu escapar das mãos o comando da própria sucessão. Nesse quadro, Kassab ganha ainda mais espaço para reorganizar o PSD sem ficar preso aos movimentos do paranaense.
O relógio ajuda a explicar a pressa. Na terça-feira (24), Kassab recebeu Caiado. Nesta quarta-feira (25), encontrou Eduardo Leite. A escolha do nome do PSD para o Planalto, antes desenhada com Ratinho no centro, virou uma decisão mais enxuta e mais urgente. Ao deixar a secretaria paulista justamente agora, Kassab sinaliza que quer comandar pessoalmente essa costura até o fim do mês, sem dividir agenda entre governo e partido.
Kassab não deixou apenas uma secretaria. Ele voltou por inteiro ao papel que mais domina, o de operador nacional do PSD em ano pré-eleitoral. Tarcísio preserva seu projeto de reeleição em São Paulo, o partido tenta reorganizar sua rota para 2026, e Ratinho Junior aparece menor do que aparecia há poucos dias, depois de abandonar a corrida ao Planalto sem conseguir manter o comando da sucessão no Paraná.
A saída de Kassab, portanto, não é só uma troca administrativa. É um movimento de força dentro do PSD, num momento em que a legenda precisa preencher o vazio deixado pelo fracasso da aposta em Ratinho.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



