Gilberto Kassab caminha para declarar a independência do PSD na eleição presidencial de 2026, sinalizando que o partido não apoiará nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome lançado pela direita com a bênção do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Inelegível, Bolsonaro pai cumpre pena superior a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado.
A estratégia do PSD, confirmada por líderes da legenda, tende a favorecer mais a reeleição do presidente petista do que o campo conservador, ao fragmentar a oposição e liberar palanques regionais.
A leitura foi explicitada pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Segundo ele, Gilberto Kassab “tem deixado muito claro que não estaremos nem com Lula nem com Bolsonaro nas eleições”. O recado consolida a linha de neutralidade ativa do PSD, sem candidato próprio ao Palácio do Planalto.
A análise do governador gaúcho à BBC News foi compartilhada por Kassab em suas redes sociais, gesto que reforça a sintonia política entre a direção nacional do PSD e a leitura apresentada por Eduardo Leite sobre o cenário eleitoral de 2026.
Na prática, a decisão inviabiliza, ao menos neste momento, o projeto presidencial do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Sem o aval da direção nacional e sem a estrutura partidária para o voo maior, o plano perde sustentação política. Nesse quadro, cresce a avaliação de que uma candidatura ao Senado em 2026 seria o caminho mais compatível com a posição de independência do partido.
Ainda assim, o cenário não é completamente estanque.
Nos bastidores, admite-se um cenário residual em que o governador Ratinho Júnior possa ser estimulado a disputar a Presidência com aval tácito do Planalto, caso haja o interesse de Lula quebrar a polarização e forçar o segundo turno. O governador paranaense tem cerca de 10% de intenções de voto nas sondagens, segundo a Paraná Pesquisas.
Governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Junior (PR) podem reforçar o Centrão no Senado.
No cenário atual, a hipótese de candidatura presidencial do PSD é remota. A estratégia envolve menos a eleição de 2026 e mais a disputa pelo controle político do pós-Lula, com reflexos diretos na sucessão de 2030.
A independência, contudo, não significa afastamento do poder. Em encontro recente com Luiz Inácio Lula da Silva, Kassab indicou interesse em fortalecer a presença do PSD no Senado, prioridade também para o governo, que busca ampliar sua base na Casa em 2026. O desenho é conhecido em Brasília: neutralidade presidencial, pragmatismo legislativo.
O movimento do PSD tende a ser reproduzido por outros partidos do Centrão. MDB, Podemos, União Brasil, PP e Republicanos avaliam manter liberdade formal na disputa presidencial enquanto preservam alianças regionais, sobretudo no Nordeste, onde há múltiplos palanques com o PT. O resultado é um cenário menos polarizado no discurso, mas funcionalmente favorável ao presidente.
Esse padrão já foi explicitado pelo MDB. Em Curitiba, no dia 15 de dezembro, o presidente nacional da sigla, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), confirmou ao Blog do Esmael que o partido também sinaliza independência em 2026, com decisão a ser tomada em convenção nacional, respeitando a diversidade regional.
Em síntese, Kassab joga com cálculo frio. Ao retirar o PSD da polarização formal, amplia a autonomia dos estados, preserva canais com o governo e reposiciona o Centrão como força legislativa decisiva.
No agregado, ao retirar o PSD da polarização e incentivar a fragmentação do Centrão, a estratégia dificulta a construção de uma candidatura única da direita, hoje centrada em Flávio Bolsonaro, e acaba favorecendo o projeto de reeleição do presidente Lula.
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