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Nem Lula, nem Tarcísio: MDB sinaliza “independência” em 2026

O presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), sinalizou que o partido caminha para uma posição de independência nas eleições presidenciais de 2026, sem alinhamento automático a qualquer candidatura. Em entrevista ao Blog do Esmael, ele afirmou que não há decisão tomada e que o futuro da legenda será definido em convenção nacional, com participação efetiva da militância e dos diretórios estaduais.

A declaração foi dada durante o ato de filiação do ex-senador Alvaro Dias ao MDB, em Curitiba, evento que reuniu líderes do Paraná e ganhou projeção nacional. Ao comentar o retorno de Alvaro, Baleia destacou o simbolismo político do reencontro. Disse que o ex-senador representa dignidade, ética e combate a privilégios, valores que, segundo ele, sintetizam o que há de melhor na política brasileira.

Para o dirigente emedebista, a volta de Alvaro ao MDB tem significado para o Paraná e para o país. Baleia lembrou que o partido foi o berço da trajetória política do ex-governador e afirmou acreditar que ele ainda pode dar contribuições relevantes ao Brasil, especialmente no Senado Federal, onde, na avaliação do presidente do MDB, o Paraná sente falta de uma voz experiente.

Questionado sobre o projeto eleitoral de Alvaro Dias, Baleia evitou cravar cenários, mas indicou que, com duas vagas em disputa para o Senado em 2026, esse seria um caminho natural. Ressaltou, no entanto, que decisões sobre candidatura cabem ao próprio Alvaro, mantendo o discurso de prudência.

O ponto central da entrevista veio ao tratar do cenário presidencial. Baleia confirmou que há articulações nos bastidores de Brasília para que o MDB participe de uma eventual chapa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclusive na condição de vice. Em seguida, fez questão de relativizar essas conversas.

Segundo ele, o MDB é um partido de forte diversidade regional. Baleia citou que o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste hoje compartilham posições semelhantes, enquanto o Nordeste e parte do Norte apresentam outra leitura política. Essa heterogeneidade, afirmou, impede decisões centralizadas ou impostas pela direção nacional.

Na avaliação de Baleia Rossi, existem correntes expressivas dentro do MDB que defendem apoiar Lula, outras que preferem um nome da centro-direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), ou outro candidato que represente esse campo político. Nenhuma dessas correntes, frisou, é majoritária a ponto de se impor sozinha.

O presidente do MDB foi categórico ao afirmar que a decisão não será tomada pela executiva nem pela presidência do partido. O desfecho sobre 2026 ocorrerá em convenção nacional, com voto dos diretórios e participação da militância. Ao mencionar explicitamente que a independência também está no horizonte, Baleia sinalizou que o MDB pode, inclusive, optar por não integrar formalmente nenhuma chapa presidencial.

A entrevista reforça a leitura de que o MDB busca preservar autonomia política num ambiente de forte polarização. Ao manter todos os caminhos abertos, o partido tenta se posicionar como força decisiva, capaz de influenciar o resultado eleitoral sem se submeter a alianças antecipadas.

Ao falar em independência e decisão via convenção, Baleia Rossi recoloca o MDB no centro do debate nacional e reafirma a tradição federativa do partido. Em 2026, a legenda pode ser fiel da balança ou seguir caminho próprio, mas não aceitará alinhamentos por imposição.

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