Houthis empurram Brent a US$ 112 sob risco ao diesel

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a este domingo (29) com a guerra em nova fase. A entrada dos houthis, a chegada de reforços militares dos Estados Unidos ao Oriente Médio e a preparação do Pentágono para uma possível operação terrestre limitada no Irã empurraram o Brent de volta a US$ 112,57. Para o Brasil, o recado é direto: diesel, frete e inflação seguem sob pressão.

Os houthis fizeram seus primeiros ataques contra Israel desde o início do conflito, enquanto Washington reforçou a presença militar na região. Segundo a Reuters, o primeiro contingente de fuzileiros chegou na sexta-feira (27), e o Washington Post relatou, com base em autoridades americanas, que o Pentágono prepara semanas de operações em solo, com forças especiais e infantaria convencional, sem configuração de invasão em larga escala. A decisão final de Trump, porém, ainda não está tomada.

Isso mexe com o nervo da energia global. O Estreito de Ormuz já vinha sob forte restrição, depois de anos funcionando como corredor de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Agora, a entrada dos houthis recoloca no radar o Bab el-Mandeb, outro gargalo marítimo decisivo para navios, petróleo e comércio.

Foi nesse ambiente que o Brent fechou a sexta-feira em alta de 4,2%, a US$ 112,57 por barril. Neste domingo, a aversão a risco já aparecia nas bolsas do Golfo, sinal de que o mercado continua comprando a hipótese de guerra mais longa, mais cara e mais difícil de conter.

No Brasil, o canal de transmissão é conhecido. Diesel mais caro encarece frete. Frete mais alto pressiona alimentos, indústria e logística. O Banco Central registrou no Relatório de Política Monetária de quinta-feira (26) que o acirramento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio aumentou a incerteza externa e elevou a volatilidade de ativos e commodities, exigindo cautela dos países emergentes.

O governo federal já montou algum amortecedor. Em março, zerou PIS/Cofins do diesel para tentar conter o repasse da alta internacional do petróleo ao custo de vida. Desde agosto de 2025, também estão em vigor o E30 na gasolina e o B15 no diesel, com mistura maior de biocombustíveis. Isso reduz parte da dependência externa, embora não elimine a exposição do país ao choque do barril.

A leitura econômica é simples. Se o Brent se mantém acima de US$ 110 e a guerra abre novas frentes marítimas e militares, o Brasil continua importando pressão pelo diesel. Quando isso acontece, o conflito sai do mapa do Oriente Médio e entra na planilha do caminhoneiro, no caixa do supermercado e na conta da inflação.

A entrada dos houthis, a chegada de 3.500 militares americanos e a hipótese de operação terrestre “limitada” apontam para a escalada do conflito EUA-Israel contra Irã neste domingo.

A guerra, portanto, já não cabe no rótulo de crise externa. Ela voltou a operar como pressão concreta sobre energia, transporte e custo de vida.

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