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Haddad usa feminicídio contra vitrine de Tarcísio

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), prepara uma ofensiva sobre a violência contra mulheres para atingir o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no eleitorado feminino. A estratégia do petista usa dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

Auxiliares de Haddad querem transformar os números da violência contra mulheres em peça central contra a política de segurança de Tarcísio. A campanha também discute propostas como ampliar o horário das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), oferecer abrigos e criar apoio para que vítimas entrem no mercado de trabalho.

O dado mais duro vem da própria SSP-SP: os feminicídios subiram 45% em fevereiro de 2026 na comparação com fevereiro de 2025. O número passou de 20 para 29 mulheres mortas, segundo levantamento divulgado com base nos dados da pasta.

No primeiro trimestre de 2026, São Paulo registrou 86 feminicídios, alta de 41% sobre os 61 casos do mesmo período de 2025. Foi o maior número para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2018.

Março de 2026 também bateu recorde mensal na série da SSP-SP, com 30 feminicídios. O número representa alta de 58% sobre março de 2025.

A disputa deixa de ser apenas uma briga por imagem. Haddad tenta puxar Tarcísio para um terreno em que o governador não consegue responder só com propaganda de eficiência.

A aprovação de Tarcísio entre mulheres caiu de 57% para 48% em oito meses, segundo pesquisas Genial/Quaest. É nesse ponto que o PT pretende bater: segurança pública, proteção real e resposta do Estado.

Tarcísio tenta conter o dano com acenos institucionais. A gestão nomeou a coronel Glauce Anselmo Cavalli como primeira mulher no comando-geral da Polícia Militar, reconduziu Luciana Jordão à Defensoria Pública do Estado e indicou cinco mulheres para vagas no Tribunal de Justiça e no Ministério Público de Contas.

O problema, para o governador, é que nomeação não apaga estatística. Quando o número de mulheres mortas cresce nessa escala, a vitrine da segurança vira vidraça.

A ofensiva também encaixa a campanha de Haddad em um terceiro eixo. O petista já apareceu buscando uma vice ligada ao agro para furar o interior paulista. Também endureceu o discurso nacional ao falar em “lavagem cerebral” nas pesquisas que mostram empate técnico entre campos opostos. Agora, tenta levar Tarcísio para o debate sobre mulheres, segurança e vida concreta.

São Paulo vira laboratório de 2026 porque reúne três disputas ao mesmo tempo: o governo estadual, a vitrine nacional da direita e o peso do maior colégio eleitoral do país. Para Haddad, o desafio é converter dados oficiais em acusação política. Para Tarcísio, o risco é ver sua principal marca, a segurança, ser julgada pela dor das mulheres.

A eleição paulista começa a sair do palanque genérico e entra no território dos números que cobram resposta. Feminicídio não é tema lateral quando 86 mulheres foram mortas em três meses no estado mais rico do país.

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