A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã voltou a pressionar o ponto mais sensível da economia mundial nesta quinta-feira (26). O petróleo subiu forte, com o Brent a US$ 105,73 por barril, porque a perspectiva de trégua segue frágil, o mercado não vê saída diplomática imediata e o risco em torno do Estreito de Ormuz voltou ao centro da precificação global.
A alta do barril ajuda a medir o tamanho da tensão. Teerã admite revisar a proposta americana, mas afirma que não tem interesse em negociar o fim da guerra nos termos colocados por Washington. Ao mesmo tempo, a Casa Branca endureceu o discurso, e o Pentágono prepara novo envio de tropas ao Golfo.
Quando o petróleo sobe mesmo após sinais de negociação, o mercado está embutindo risco de continuidade do conflito. Foi isso que aconteceu nesta manhã. A aposta dominante segue sendo a de instabilidade prolongada, não a de uma trégua capaz de desmontar o prêmio de guerra.
Ormuz concentra uma fatia decisiva do fluxo mundial de petróleo e gás, por isso qualquer ameaça na região repercute imediatamente no preço do barril. Segundo a Reuters, o estreito responde por cerca de um quinto da oferta global de petróleo bruto e gás natural liquefeito, e os embarques ali ficaram quase paralisados nas últimas semanas. A própria Agência Internacional de Energia trata o choque como uma ruptura histórica de oferta.
O alerta vindo do Golfo mostra a gravidade do quadro. O presidente da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), Sultan Al Jaber, classificou qualquer restrição iraniana em Ormuz como terrorismo econômico, porque um bloqueio naquela rota atinge a economia mundial inteira, do combustível ao preço dos alimentos.
Para o Brasil, a guerra já entra na conta do diesel, do frete e da comida. O governo Lula editou na semana passada medidas provisórias para tentar conter a alta do diesel e reforçar o piso do frete, reconhecendo que o conflito no Oriente Médio pressiona os combustíveis e pode ampliar o custo dos alimentos.
Quando o Brent volta para a casa dos US$ 105, a alta se espalha pela cadeia logística, encarece transporte, pressiona margens, piora a expectativa de inflação e chega ao bolso do brasileiro. Numa economia dependente do transporte rodoviário, barril caro vira problema doméstico em pouco tempo.
Sem trégua sólida e com Ormuz ainda sob risco, o mercado continuará cobrando prêmio de guerra no petróleo. No Brasil, esse custo costuma aparecer primeiro no diesel, depois no frete e, por fim, no supermercado.
No dia 27 da guerra EUA-Israel contra o Irã, o número de mortos no conflito ultrapassou 1.500 pessoas, de acordo com relatórios do Ministério da Saúde iraniano. Mais de 18 mil pessoas ficaram feridas e até 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas internamente no Irã.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




