O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) reapareceu na noite desta sexta-feira (27) no centro da sucessão do governador Ratinho Junior (PSD). A penúltima proposta de chapa que chegou ao Blog do Esmael põe Greca na cabeça, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná Alexandre Curi (PSD) na vice e duas vagas ao Senado para Guto Silva (PSD) e Alvaro Dias (MDB). Até aqui, porém, trata-se de uma composição de bastidor, sem anúncio oficial do Palácio Iguaçu.
O detalhe político está menos na fotografia da chapa e mais na velocidade com que ela muda. Antes dessa versão com Greca, já corria outra fórmula: Eduardo Pimentel para o governo, Guto na vice, Curi e Alvaro no Senado e Greca empurrado para uma aposta na Prefeitura de Curitiba em 2028. A sucessão de Ratinho virou uma bolsa de apostas em tempo real, que muda conforme o humor do dia e a pressão provocada pela entrada de Sergio Moro no PL.
Esse vaivém não nasce do nada. Depois de recuar da disputa presidencial, Ratinho passou a concentrar a articulação da própria sucessão no Paraná, tentando reorganizar sua base e evitar que a direita do estado se fragmente ainda mais com o avanço de Moro. Nesse movimento, Curi sinalizou permanência no PSD, Greca já deixou o partido para se filiar ao MDB, e o nome de Eduardo Pimentel entrou no xadrez como alternativa da cúpula governista.
Greca, por sua vez, tratou de esfriar publicamente a hipótese de ver Eduardo saindo agora da prefeitura. Em entrevista ao portal Nosso Dia, publicada na quinta-feira (26), ele foi direto: “Deixem o Eduardo em Curitiba, que é o que os curitibanos querem e é o que a Margarita, em espírito desde o céu, abençoa”. Na mesma conversa, afirmou que vê com entusiasmo uma eventual composição com Alexandre Curi.
Essa fala ajuda a entender por que o nome do ex-prefeito voltou a circular com força. Ao mesmo tempo em que defende a permanência de Eduardo na capital, Greca não fecha a porta para um arranjo com o grupo de Ratinho. Na prática, ele deixa aberto um espaço para negociação, inclusive num momento em que Guto Silva perdeu força como cabeça de chapa e passou a ser cotado para outras posições na majoritária.
Há outro dado por trás dessa nova mexida. Com Moro filiado ao PL e tentando unificar parte da direita, Ratinho precisa de um nome que converse com Curitiba, preserve pontes no interior e não empurre Curi para fora do campo governista. É nesse ponto que Greca reaparece como solução possível para setores do grupo, mesmo depois de ter sido mantido fora do centro da mesa durante parte da pré-campanha.
Em avaliação relatada ao Blog do Esmael, Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, resumiu o tamanho da reviravolta: há 18 meses, Ratinho precisou esconder Greca para vencer a eleição em Curitiba; agora, em 2026, Greca pode virar a alternativa para derrotar Moro. A frase traduz o humor volátil de uma sucessão que deixou de ser linha reta e passou a ser disputa de sobrevivência dentro do próprio campo governista.
No fim, a notícia desta sexta não é que Ratinho já escolheu Greca. A notícia é que Greca voltou a caber, e até a crescer, dentro de uma conta que parecia fechada sem ele. Quando uma sucessão muda de desenho a cada poucas horas, o que existe de fato não é candidatura consolidada, mas nervosismo no centro do poder.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




