A ministra Gleisi Hoffmann (PT) deixa nesta quarta-feira (1º) a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, pasta encarregada da articulação política do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para entrar na disputa pelo Senado no Paraná.
Como Gleisi estava licenciada do mandato de deputada federal, durante o período que esteve na articulação política de Lula, ela retorna à Câmara antes da campanha de 2026.
O ciclo de Gleisi na articulação começou em 10 de março de 2025, num momento em que o governo ainda buscava recompor base e destravar votações. Na posse, ela fixou como meta construir uma base estável no Congresso e empurrar a votação do Orçamento de 2025, que estava atrasado.
Foi justamente aí que veio sua principal vitória, como registrou o Blog do Esmael. O Congresso aprovou o Orçamento de 2025 em 20 de março de 2025, e o balanço feito por jornalistas em Brasília atribuiu a Gleisi o destravamento, em dez dias, de uma peça que estava parada havia cerca de três meses.
Outra entrega de peso foi a agenda tributária de apelo popular. O Senado aprovou, em novembro passado, o projeto que ampliou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, com redução parcial para rendas de até R$ 7.350, e o texto foi sancionado por Lula começou a valer em janeiro deste ano.
Na segurança pública, Gleisi também saiu com uma marca concreta. Na semana passada, Lula sancionou o chamado marco legal antifacção, costurado pelo Planalto no Congresso como resposta ao avanço do crime organizado e das milícias.
No enfrentamento à violência contra as mulheres, a ministra ajudou a empurrar uma agenda de visibilidade institucional. O Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio foi lançado no início de fevereiro último com participação dos três Poderes, e a operação ligada a essa frente mobilizou quase de 39 mil agentes, resultou em mais de 5 mil prisões e foi acompanhada pela distribuição de 500 tornozeleiras e pela inauguração de um centro integrado de monitoramento.
Não foi de somenos o empenho da ministra para deslanchar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A ministra transformou essa pauta social em ato político no coração operário da capital paranaense. Ao defender publicamente o avanço da proposta, Gleisi apostou que a pressão da opinião pública pode sensibilizar o Congresso.
Na frente federativa, Gleisi preservou um dos braços mais úteis da pasta para o governo Lula: a ponte com prefeitos e gestores. Ela idealizou a Caravana Federativa, onde a SRI realizou milhares atendimentos diretos a às cidades, sinal de que a ministra manteve ativa a engrenagem de aproximação entre União e municípios.
O saldo político, porém, não foi linear. Sob Gleisi, o governo sofreu derrotas importantes no Congresso, entre elas a derrubada do decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o avanço do projeto da dosimetria ligado aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e o revés em temas ambientais. Em português claro, Gleisi melhorou a conversa do Planalto com o Parlamento, mas não conseguiu blindar Lula de rebeliões quando a base se moveu por conta própria.
Ao deixar a SRI, Gleisi tenta converter esse ativo de governo em capital eleitoral no Paraná. Sai com entregas reais na bagagem, mas também com a conta das derrotas de um Congresso fragmentado, caro e pouco confiável para qualquer governo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




