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Galípolo estreia no BC com alta da Selic para 13,25% ao ano

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Dos 9 membros do Copom, sete foram nomeados pelo presidente Lula

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou, nesta quarta-feira (29), a expectativa do mercado e elevou a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual, passando de 12,25% para 13,25% ao ano. A decisão, unânime entre os membros do colegiado, marca a estreia de Gabriel Galípolo no comando do BC, após sua nomeação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Selic retorna, assim, ao mesmo patamar registrado entre agosto e setembro de 2023, quando o ciclo era de queda. Agora, o movimento é inverso. Desde setembro do ano passado, os juros acumulam uma alta de 2,75 pontos percentuais, refletindo preocupações com o aumento da inflação e riscos fiscais.

A decisão não surpreendeu o mercado financeiro. Segundo levantamento da Bloomberg, todos os 33 economistas consultados projetavam o aumento de um ponto percentual. O Copom já havia sinalizado essa diretriz na reunião de dezembro, quando prometeu pelo menos duas elevações sequenciais, em janeiro e março.

O principal fator por trás da alta é a piora das expectativas de inflação. O último boletim Focus aponta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode fechar o ano em 5,5%, acima da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3% com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O que diz o “mercado” sobre a alta

O chamado “mercado” [mais ricos da sociedade] e a velha mídia alegam que a alta da Selic ocorre em um momento de pressão cambial e incertezas no cenário externo. O retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos gera volatilidade no dólar e preocupa analistas. No Brasil, o risco fiscal segue no radar, principalmente devido às dificuldades do governo em conter gastos e aprovar reformas estruturais.

O Banco Central, que agora tem sete dos nove diretores indicados por Lula, segue monitorando os efeitos da política monetária no longo prazo. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 18 e 19 de março, quando será decidido se o atual ciclo de aperto monetário continuará.

A elevação dos juros impacta diretamente o crédito e o consumo. Com a Selic mais alta, o custo do financiamento aumenta, dificultando o acesso a empréstimos e reduzindo o ritmo da economia. Por outro lado, a medida busca conter a inflação e manter a credibilidade da política monetária –juram os fiscalistas do “mercado” e do governo.

O desafio do governo agora é equilibrar crescimento e controle inflacionário. Se a inflação continuar em alta, novas elevações da Selic podem ser necessárias, comprometendo ainda mais a recuperação econômica e o mercado de trabalho. Ou seja, vem mais chumbo por aí!

Presidenta do PT critica aumento da taxa de juros

Esta é a deputada Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT. Foto: divulgação/PR
Esta é a deputada Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT. Foto: divulgação/PR

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, criticou duramente o novo aumento da taxa Selic, classificando-o como prejudicial ao país e sem justificativa nos fundamentos da economia real.

Segundo a dirigente petista, a elevação encarece a dívida pública, sufoca famílias endividadas e restringe o crescimento econômico.

Gleisi argumenta que nem mesmo o mercado acredita na eficácia anti-inflacionária dessa política contracionista, apontando que, apesar dos juros altos, a projeção do IPCA para 2025 segue elevada.

Para ela, o comunicado do Banco Central confirma que a variação da inflação está mais ligada à taxa de câmbio do que ao crescimento econômico.

A presidenta do PT também ressalta que o Brasil está em um ciclo positivo de crescimento, geração de empregos e ajuste fiscal, reduzindo o déficit primário.

Por fim, ela reconhece os desafios enfrentados por Gabriel Galípolo na presidência do BC para reposicionar as expectativas do mercado e a orientação da instituição.

Leia a íntegra da manifestação de Gleisi Hoffmann

O novo aumento da taxa básica de juros, já determinado desde dezembro pela direção anterior do Banco Central e anunciado hoje, é péssimo para o país e não encontra qualquer explicação nos fundamentos da economia real. Vai tornar mais cara a conta da dívida pública, sufocar as famílias endividadas, restringir o acesso ao crédito e o crescimento da atividade econômica.

Nem mesmo os agentes do mercado acreditam na apregoada eficácia antiinflacionária da política contracionista que foi imposta ao país.

Tanto assim que, mesmo após os novos choques de juros, o Boletim Focus desta semana projetava um IPCA de 5,5% para 2025, e não a redução prometida pela escalada dos juros.

O comunicado do BC sobre inflação de 2024 comprova a relevância muito maior da taxa de câmbio sobre a variação ligeiramente acima da meta do ano, do que pelo crescimento da economia e do emprego, sempre punidos com a elevação indiscriminada dos juros.

O Brasil está crescendo, gerando empregos, arrecadando mais e ajustando suas contas, com um dos maiores esforços fiscais do mundo, que reduziu o déficit primário de 2,3% em 2023 para 0,1% em 2024.

Neste momento sabemos que não resta muita alternativa ao novo presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Restam desafios para reposicionar as expectativas do mercado e a orientação da instituição que dirige.

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