Início / Notícias

Galípolo terá de explicar Banco Master no Senado

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, terá de explicar à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na próxima terça-feira (5 de maio), por que a fiscalização do BC não barrou antes a crise do Banco Master, liquidado em 18 de novembro de 2025. A audiência também tratará de juros, mas o centro político será outro: o Master virou cobrança direta sobre o xerife do sistema financeiro.

O caso deixou de ser só inquérito policial.

Entrou no Senado, no Tribunal de Contas da União (TCU), no Banco de Brasília (BRB), nos fundos de previdência e na conta de investidores que compraram papéis do banco antes da quebra.

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse nesta terça-feira (28) que “muitas perguntas continuam a ser feitas” sobre o papel do BC na crise do Master. Segundo ele, o Banco Central teria enviado 23 avisos de irregularidade ao banco sem adotar providências suficientes antes da liquidação.

Essa é a pergunta que Galípolo terá de enfrentar sem jargão técnico: o BC viu tarde demais ou foi tolerante demais?

Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, Galípolo já afirmou que operações do Master chamaram a atenção da fiscalização por envolverem criação e venda de ativos para gerar caixa. Ele também disse que houve dificuldade para comprovar a existência de alguns créditos e que o BC abriu processo sancionador, isto é, um procedimento para punir descumprimento de regras.

O ponto sensível é o tempo.

Se havia sinais de irregularidade, o Senado quer saber quando eles apareceram, quem recebeu os alertas, qual diretor decidiu esperar e por que o banco continuou operando até a liquidação.

A CAE também cobra documentos. O colegiado aprovou requerimentos para obter informações do TCU e do BRB sobre operações ligadas ao Master, inclusive carteiras financeiras, contratos e relações com fundos de previdência de servidores estaduais e municipais.

O rastro é pesado.

Ao menos 19 fundos públicos de previdência compraram R$ 1,87 bilhão em letras financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024. Parte desses papéis não tinha cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que pode empurrar perdas para governos estaduais, prefeituras e, no limite, para o contribuinte.

Também há o flanco do BRB.

O banco público do Distrito Federal tentou comprar o Master, mas o negócio foi barrado pelo BC em setembro de 2025. Depois, o próprio BRB anunciou auditoria externa para apurar fatos ligados à operação policial que atingiu o Master.

A defesa institucional do Banco Central tem um dado a seu favor.

A CAE se debruça em uma revisão técnica do TCU, que não teria apontado ressalvas contra a atuação do BC na liquidação do Master. O processo, porém, segue sob sigilo, e a disputa política no Senado não foi encerrada por esse relato.

Galípolo chegará à CAE em posição incômoda.

Como presidente do BC, ele precisa defender a estabilidade do sistema financeiro. Como autoridade sabatinada pelo Senado, terá de explicar por que uma instituição que pagava taxas acima da média, crescia rápido e acumulava sinais de risco só foi retirada do mercado quando a crise já havia contaminado bancos, fundos e investigações criminais.

O caso Master virou teste de fiscalização, não apenas de punição.

Punir depois da quebra é obrigação. A questão política é saber se o Banco Central tinha instrumentos para agir antes, se usou esses instrumentos na hora certa e se o mercado recebeu tratamento mais paciente do que receberia um cidadão comum endividado no banco.

Galípolo falará de juros, mas o Senado ouvirá o Master.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: BRB admite rombo de R$ 8,8 bi no caso Master; Senadores cobram transparência sobre situação do BRB; Master volta ao Senado pela porta do BRB