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Emir Sader defende Lula 4 para enterrar o neoliberalismo no Brasil

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O sociólogo Emir Sader, um dos principais ideólogos do PT, defendeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato como forma de consolidar a luta contra o neoliberalismo no Brasil. Em artigo publicado no jornal argentino Página 12, Sader argumenta que Lula precisa de mais tempo para romper com a financeirização da economia e implementar um novo modelo de desenvolvimento centrado na produção industrial e na distribuição de renda.

O embate entre neoliberalismo e pós-neoliberalismo

Sader aponta que o capitalismo, ao longo das últimas décadas, fortaleceu a centralidade do setor financeiro, priorizando a especulação em detrimento do desenvolvimento produtivo. Esse modelo, segundo ele, esvazia o papel do Estado e mercantiliza todas as esferas da vida social, transformando cidadãos em consumidores e direitos em produtos. O resultado é um processo de desmonte das políticas públicas e aumento da desigualdade.

Para reverter esse quadro, o sociólogo propõe uma transição do chamado antineoliberalismo para o pós-neoliberalismo, promovendo o fortalecimento do Estado e o resgate da esfera pública como instrumento de inclusão e justiça social. Para Sader, os governos petistas sempre caminharam nessa direção, mas enfrentaram limites impostos por estruturas econômicas e políticas dominadas pelo capital especulativo.

Os desafios de Lula 3 e a necessidade de um novo mandato

O atual governo Lula, segundo Sader, tem características peculiares. Embora tenha retomado as políticas sociais e reconstruído a imagem do Brasil no cenário internacional, ainda lida com um Congresso adverso e um Banco Central —até recentemente— sob controle de um nome indicado por Jair Bolsonaro (PL). Esses entraves dificultam mudanças estruturais mais profundas e limitam a capacidade do governo de romper definitivamente com o modelo neoliberal.

Diante desse cenário, Sader sugere que a reeleição de Lula seria fundamental para consolidar um novo modelo econômico, baseado no fortalecimento da indústria nacional, na ampliação do papel do Estado e na redistribuição de riqueza. Essa mudança exigiria, segundo ele, uma “democratização profunda” das instituições públicas e o fim da hegemonia do mercado financeiro sobre as decisões econômicas.

A erradicação do analfabetismo como meta urgente

Além da reestruturação econômica, Sader destaca um desafio que considera urgente para um eventual Lula 4: o fim do analfabetismo no Brasil. Ele ressalta que o PT não pode concluir mais um ciclo de governo sem erradicar esse problema histórico, defendendo que a educação pública precisa ser colocada no centro da estratégia de transformação do país.

O papel do Estado na luta contra o neoliberalismo

Por fim, o artigo de Emir Sader reforça que a disputa política essencial do nosso tempo gira em torno da natureza do Estado. Ele defende que a esquerda deve não apenas proteger as instituições públicas, mas transformá-las em ferramentas de fortalecimento da cidadania e combate às desigualdades. Para isso, um novo mandato de Lula seria essencial para consolidar o projeto de um Brasil menos dependente do capital especulativo e mais comprometido com o desenvolvimento sustentável e socialmente justo.

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