Eduardo Pimentel enterra boato de salto ao governo do Paraná

O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), tratou como “muita especulação” a conversa de que deixaria o Palácio 29 de Março em abril para disputar o governo do Paraná. A resposta, curta e seca, tem peso político. Ela indica que o prefeito não aceita virar plano de emergência de um PSD que ainda patina para escolher quem enfrentará a oposição em 2026.

O nome de Pimentel entrou no radar justamente porque a fila do governismo embolou. Veículos da velha mídia corporativa paranaense mostraram que o prefeito passou a ser cogitado nos últimos dias, depois que a sucessão de Ratinho Júnior (PSD) se complicou com a debandada de quadros do partido.

A primeira baixa já foi consumada. O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, hoje secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, filiou-se ao MDB nesta quinta-feira (19), em São Paulo. Alexandre Curi (PSD), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), também aparece como nome cada vez mais próximo do Republicanos, o que aumenta a pressão sobre o Palácio Iguaçu.

O relógio, além disso, está correndo. O TSE informou que, para muitos ocupantes de mandato majoritário que pretendem disputar outro cargo, o marco de desincompatibilização é 4 de abril. Já a janela partidária de 2026, aberta para deputados federais, estaduais e distritais, vai de 5 de março a 3 de abril. Em outras palavras, não há mais espaço para hesitação longa nem para conversa adiada no cafezinho.

É nesse ponto que a negativa de Pimentel pesa. Ao recusar o boato, ele esvazia um balão de ensaio e devolve a bomba ao colo do governador. Segundo apuração do Blog do Esmael, Ratinho Júnior evita a conversa mais dura com Alexandre Curi, enquanto o entorno do governo trabalha para empurrar o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), para a cabeça de chapa. Publicamente, Guto segue em agenda de pré-candidato e mantém discurso de disputa interna.

Só que o impasse já cobra preço político. Pesquisa IRG divulgada na quinta-feira (19) mostrou Sergio Moro (PL) na frente em todos os cenários testados para o governo do Paraná.

No outro campo, Moro avança justamente porque o governismo ainda fala para dentro. O senador acertou o apoio do PL, decidiu deixar o União Brasil e se filiar à legenda de Flávio Bolsonaro, num movimento que rompeu o entendimento local que ainda existia com Ratinho. Ao mesmo tempo, a costura com o Novo aparece como peça possível desse arranjo, inclusive com espaço para Deltan Dallagnol na disputa ao Senado. A velha dobradinha da Lava Jato, goste-se ou não dela, volta a rondar o debate estadual, mostrando que o ex-juiz e o ex-procurador pretendem voltar a jogar juntos.

Pimentel percebeu cedo o risco de ser puxado para esse redemoinho. Sua fala lacônica preserva a prefeitura, preserva o mandato recém-iniciado e evita que Curitiba entre no mercado de balcão da sucessão estadual. Não é pouca coisa. Quando um prefeito eleito há pouco mais de um ano precisa vir a público para desmentir a própria saída, o problema já deixou de ser boato e virou sintoma de desordem no grupo que governa o Paraná.

A negativa de Pimentel não encerra a novela. Ela apenas revela, com mais nitidez, que o PSD de Ratinho Júnior tem máquina, nomes e poder, mas ainda não conseguiu produzir uma decisão. E, em política, quando o bloco governista demora demais para escolher o próprio rosto, alguém ocupa o vazio. Hoje, esse alguém atende por Sergio Moro. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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