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Gleisi enquadra abusos nos combustíveis sob guerra do petróleo

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), avisou nesta quarta-feira (18) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai tolerar aumentos abusivos nos combustíveis sob o pretexto da guerra no Oriente Médio. O recado veio em vídeo publicado nas redes [assista abaixo], no mesmo dia em que o governo federal ampliou a ofensiva de fiscalização sobre distribuidoras e postos.

O alerta ganhou peso porque a crise externa piorou de novo. Instalações de gás e petroquímica em South Pars e Asaluyeh, no Irã, foram atingidas, e Teerã respondeu com ameaças a estruturas energéticas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar. Com a escalada, o Brent saltou mais de 6% ao longo do dia e a guerra passou a pressionar diretamente o preço do diesel no Brasil.

Brasília reagiu em várias frentes. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em ação com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e Procons, abriu nova rodada de fiscalização em nove estados e no Distrito Federal, incluindo o Paraná, enquanto a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar possíveis crimes contra consumidores e contra a ordem econômica. Pelas regras anunciadas pelo governo, a ANP pode aplicar multas de R$ 50 mil a R$ 500 milhões, a depender da gravidade do caso.

A Petrobras também entrou no modo de contenção. A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou que a companhia suspendeu o leilão de diesel e gasolina desta semana para reavaliar estoques, depois de antecipar entre 10% e 15% das entregas. A justificativa foi direta: segurar o abastecimento e evitar que a volatilidade internacional vire falta de produto ou repasse ainda maior ao consumidor.

Na equipe econômica, a resposta foi tentar baratear a importação. O Ministério da Fazenda propôs aos estados zerar temporariamente o ICMS sobre o diesel importado, com compensação federal de 50% das perdas de arrecadação até 31 de maio. A medida ainda depende dos governadores, mas mostra que a guerra já virou operação de emergência no coração da logística brasileira.

Na avaliação da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a alta do diesel também escancara um problema estrutural na cadeia de combustíveis. A entidade afirma que, mesmo com a Petrobras segurando preços nas refinarias e o governo Lula zerando tributos federais para aliviar o impacto da guerra, a privatização de refinarias e da antiga BR Distribuidora abriu espaço para repasses mais agressivos e margens abusivas na ponta.

Levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base em dados da ANP, mostra que, entre 5 de janeiro e 9 de março, o diesel da Petrobras ficou estável em R$ 3,30, enquanto o valor de referência atrelado ao Preço de Paridade de Importação (PPI) saltou de R$ 3,19 para R$ 5,32.

No vídeo, Gleisi também mirou a tentativa de empurrar a insatisfação dos caminhoneiros para uma greve com objetivo político. O Planalto tenta separar reivindicação legítima de frete e custo do diesel de movimentos que apostam no caos para desgastar Lula. Nos comentários destacados na postagem, prevaleceram mensagens de apoio ao endurecimento contra abusos, elogios ao presidente e cobranças por fiscalização mais forte nos estados.

No Paraná, o deputado estadual Arilson Chiorato, presidente do PT no estado, disse que acionou Procon, MP-PR, ANP e o Governo do Estado, que mantém ICMS alto e encarece o combustível aos consumidores. “O governo Lula zerou o imposto do diesel e agora aciona a PF para fiscalizar quem tenta lucrar com a guerra.”

O ponto político é simples. Se o governo conseguir conter a especulação na bomba, segurar a oferta e amortecer o choque do diesel, corta pela raiz uma crise com potencial de contaminar inflação, frete e humor social. Se falhar, entrega à oposição a pauta que mais rápido chega à mesa do povo. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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