O ministro Guilherme Boulos (PSOL-SP) entrou em cena a poucos quilômetros da Avenida Paulista para oferecer o contraponto político ao “Acorda, Brasil”, ato da direita convocado por Nikolas Ferreira (PL-MG) com pauta anti-Lula e pressão contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na eleição de 2026.
Enquanto a direita prepara o palanque da tarde na Paulista, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) reuniu militantes pela manhã no bairro da Liberdade, no Centro de São Paulo, para celebrar a entrega de 1.900 apartamentos do Minha Casa Minha Vida e cobrar o governo paulista por políticas de enfrentamento à violência contra a mulher, segundo relato publicado pelo Metrópoles.
A fotografia deste domingo (1º) em São Paulo virou um mapa de disputa de narrativa: de um lado, o protesto “Fora Lula” e “Fora STF”; de outro, habitação popular e agenda de direitos, com a esquerda tentando puxar o debate para políticas públicas e proteção social.
A direita apostou em três recados.
O primeiro é o alvo institucional. O “Acorda, Brasil” mira Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, explorando politicamente o caso Banco Master, e tenta emplacar o discurso de “impeachment de ministros” como senha de mobilização.
O segundo é o teste de pré-campanha. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece como figura anunciada para a Paulista, ao lado de Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO), num desenho que indica disputa pela cabeça da chapa presidencial e pelo controle da rua.
O terceiro é o bastidor do caixa e do palco. A Veja registrou que, sem a estrutura de Silas Malafaia, aliados bolsonaristas fizeram vaquinha para bancar o ato, e citou Tomé Abduch (PL-SP) e o movimento NasRuas na linha de frente da organização. Já a extremista Gazeta do Povo descreveu a operação com um único caminhão elétrico, o “Avassalador”, para concentrar fala, imagem e comando de cena.
O “quem evita foto” também tem peso.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não entra na foto da Paulista, movimento lido em Brasília e nos estados como cálculo de preservação: a rua é útil para pressionar, mas pode virar custo para quem governa e precisa conversar com centro, mercado e Judiciário.
Do outro lado, a esquerda montou seu contraponto com dois eixos.
O primeiro, social. A agenda do MTST na Liberdade usa a vitrine do Minha Casa Minha Vida para lembrar que “entrega de chave” também é política, e que o governo federal quer disputar a narrativa fora do ringue “anti-STF”.
O segundo, de direitos. Em paralelo, o Ministério das Mulheres abriu a programação de março com um ato memorial contra o feminicídio, em homenagem a Tainara Souza Santos, na Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, 55, no Parque Novo Mundo, na zona norte da capital.
No plano eleitoral, a cena aponta para 2026 com uma advertência.
A direita tenta transformar o STF em combustível permanente de campanha, porque isso une sua base e desloca o debate da economia real, emprego, renda, preço de comida e serviços públicos. A esquerda reage puxando o foco para políticas de Estado e proteção social, tentando reduzir a arena do “conflito institucional” em que o bolsonarismo costuma se mover com conforto.
No balanço, manifestação é direito, divergência é democracia.
O que o país não pode aceitar é a política do desafio permanente às instituições como atalho para ganhar eleição, porque isso já cobrou caro do Brasil e tende a cobrar de novo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




