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Crise do STF chega ao voto após desconfiança bater recorde

A desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 48% no Datafolha, maior percentual desde o início da série histórica, em 2012, enquanto 47% dos entrevistados afirmam que a crise envolvendo a Corte e o Banco Master terá alguma influência na escolha para presidente. O levantamento ouviu 2.001 eleitores em 125 municípios entre 15 e 17 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é BR-04029/2026.

O número transforma em dado quantitativo uma consequência que até agora aparecia principalmente no confronto político e institucional. A crise envolvendo ministros do Supremo, investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e divergências internas da própria Corte alcançou o período eleitoral com uma deterioração mensurável da confiança no tribunal.

Segundo o Datafolha, 48% dizem não confiar no STF, 35% afirmam confiar um pouco e apenas 14% declaram confiar muito. Em março de 2026, na rodada anterior, os índices eram de 43% de desconfiança, 38% de pouca confiança e 16% de muita confiança.

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O resultado coloca o Supremo numa posição inédita na série. Pela primeira vez, a desconfiança no tribunal ficou numericamente acima da registrada para Presidência da República, Congresso Nacional e partidos políticos. O Datafolha mediu 42% de desconfiança na Presidência, 45% no Congresso e outros 45% nos partidos.

O movimento do STF também destoa das demais instituições pesquisadas. Enquanto a desconfiança na Corte passou de 43% para 48% entre março e setembro, o descrédito permaneceu estável ou recuou numericamente em várias das outras instituições avaliadas pelo instituto.

A segunda parte da pesquisa acrescenta o componente diretamente eleitoral. Questionados sobre a crise no STF e o caso Banco Master, 36% disseram que o episódio terá grande influência na definição do voto presidencial, enquanto 11% responderam que terá pequena influência. Somados, são 47%. Outros 49% disseram que a crise não terá influência e 4% não souberam responder.

O dado exige uma distinção importante. O Datafolha não constatou que 47% dos brasileiros já mudaram de candidato por causa do STF. A pergunta mede a influência que os próprios entrevistados dizem esperar da crise sobre sua decisão. Pesquisa eleitoral registra opinião no período de campo e não constitui previsão do resultado das urnas.

Essa diferença ajuda a compreender outro levantamento do próprio Datafolha, divulgado em 12 de setembro. Naquela rodada, feita entre 8 e 10 de setembro, 85% afirmavam que as acusações envolvendo Alexandre de Moraes não haviam mudado sua preferência eleitoral, enquanto 86% diziam o mesmo sobre as questões envolvendo André Mendonça. A formulação daquela pesquisa media alteração já ocorrida; a nova pergunta trata do peso que a crise ainda poderá ter na decisão.

Os recortes por preferência presidencial mostram ainda que a percepção não é uniforme. Entre os eleitores que declararam voto em Flávio Bolsonaro (PL), 45% disseram que a crise terá grande influência em sua decisão; entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o percentual foi de 26%. Entre entrevistados classificados como não alinhados aos dois polos, 43% mencionaram grande influência. As margens de erro dessas subamostras são maiores do que a margem geral da pesquisa.

A diferença também aparece na confiança institucional. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 69% disseram não confiar no Supremo, ante 22% entre aqueles que declararam voto em Lula. O dado descreve a polarização capturada pela pesquisa, mas não permite atribuir causalidade entre preferência eleitoral e avaliação do tribunal.

O resultado chega depois de uma sequência de conflitos dentro do STF. O Blog do Esmael acompanhou a disputa envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça, Edson Fachin e Flávio Dino, além dos documentos, mensagens e decisões relacionadas às investigações do Banco Master. A sessão extraordinária de 15 de setembro terminou sem decisão sobre o mérito da investigação envolvendo Moraes, depois de divergências processuais e pedido de vista apresentado por Dino.

Dois dias antes da divulgação desses novos recortes, Lula já havia cobrado publicamente do presidente do STF, Edson Fachin, uma condução que evitasse interferência da crise no processo eleitoral. O Datafolha acrescenta agora uma medida da percepção dos próprios eleitores sobre essa possibilidade.

No Paraná, o levantamento abre uma frente adicional para a disputa pelas duas vagas ao Senado, mas exige cuidado. Os percentuais de 48% e 47% são nacionais e não podem ser transferidos para o eleitorado paranaense sem pesquisa específica no estado.

A conexão política existe pela natureza do cargo. Nas eleições de 2026, cada estado escolherá dois senadores, numa renovação de dois terços do Senado Federal. A Constituição atribui privativamente ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Isso torna a relação entre Senado e Supremo uma questão institucional concreta, independentemente da posição adotada por cada candidatura.

O novo Datafolha não determina quem será beneficiado eleitoralmente pela crise, nem demonstra transferência automática de votos entre candidaturas. Ele mostra algo anterior e politicamente relevante: o STF chegou à reta final da eleição com recorde de desconfiança e com 47% dos entrevistados reconhecendo algum grau de influência da crise sobre sua escolha presidencial.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura da eleição de 2026 e dos próximos capítulos da crise no Supremo.

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