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TV de Lula e Flávio pode mexer na eleição do Paraná

A propaganda eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que começa em 28 de agosto, pode alterar a disputa pelo Governo do Paraná e pelas duas vagas ao Senado ao transformar a eleição presidencial em referência para a escolha estadual. No Paraná, onde Flávio aparece à frente de Lula e Sergio Moro lidera a corrida ao Palácio Iguaçu, o embate nacional tende a pressionar candidatos a explicitar alianças, administrar rejeições e disputar o eleitorado que vota de maneira cruzada.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu nesta quinta-feira, 20 de agosto, que a coligação liderada por Lula terá 5 minutos e 31 segundos diários no horário eleitoral gratuito, enquanto o PL de Flávio Bolsonaro terá 4 minutos e 20 segundos. A propaganda do primeiro turno será transmitida entre 28 de agosto e 1º de outubro.

O dado nacional importa para o Paraná por uma razão simples: o eleitor não votará em compartimentos estanques. A escolha para presidente poderá contaminar a decisão para governador e senador, principalmente num estado em que as pesquisas mostram forte distância entre Lula e Flávio.

A pesquisa RealTime Big Data, realizada entre 13 e 17 de agosto com 1.600 eleitores, encontrou Flávio com 44% das intenções de voto para presidente no Paraná, contra 31% de Lula. No segundo turno, o senador do PL chega a 52%, contra 35% do petista. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-09275/2026.

É nesse ambiente que começa a verdadeira disputa pela narrativa dos palanques estaduais.

Sergio Moro (PL) é o caso mais direto. O candidato ao Governo do Paraná pertence ao mesmo partido de Flávio Bolsonaro e disputa uma eleição em que o eleitor paranaense já demonstra forte inclinação pelo candidato presidencial do PL. Na mesma pesquisa RealTime, Moro aparece com 37% para governador, contra 22% de Sandro Alex (PSD) e 20% de Requião Filho (PDT).

O cruzamento sugere uma vantagem potencial de identidade política para Moro, mas não permite concluir que os 44% de Flávio se transformarão automaticamente em votos para o candidato do PL ao Palácio Iguaçu. Uma eleição estadual tem outras variáveis: avaliação do governo Ratinho Junior, conhecimento dos candidatos, rejeição, alianças locais e desempenho de campanha.

A própria RealTime mostra essa diferença. Moro registra 37%, abaixo dos 44% de Flávio na disputa presidencial. No segundo turno estadual, o senador chega a 55% contra Requião Filho e a 45% contra Sandro Alex.

O efeito contrário aparece no campo de Requião Filho (PDT). O candidato ao Governo do Paraná está formalmente integrado ao palanque de Lula. A aliança estadual reúne PDT, PT, PV, PSOL, PCdoB, Rede, PRD e Solidariedade, enquanto a chapa lançou Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT) para o Senado.

Isso transforma a propaganda presidencial em ativo e, ao mesmo tempo, em risco para a candidatura estadual. Se a campanha de Lula conseguir mobilizar o eleitorado identificado com o petismo, Requião Filho terá uma referência nacional favorável no palanque. Se a polarização presidencial ampliar a rejeição ao PT no Paraná, o mesmo vínculo poderá cobrar um preço.

Requião Filho já deixou claro que pretende sustentar sua aliança com Lula. Em sabatina da Folha/UOL, afirmou que esperava uma posição mais firme do governo federal em relação ao Paraná, mas manteve o apoio ao presidente e atacou as privatizações realizadas no estado.

Sandro Alex (PSD) ocupa a posição mais delicada. Seu partido tem Ronaldo Caiado como candidato presidencial, mas o candidato ao Governo do Paraná não pode ignorar que uma parcela relevante de seu eleitorado mantém identidade com o bolsonarismo.

Em sabatina da Folha/UOL, Sandro declarou apoio a Caiado, mas não descartou a presença de Flávio Bolsonaro em seu palanque. Ele também reconheceu a força da relação entre Ratinho Junior e Jair Bolsonaro e afirmou que parte de seus apoiadores no Paraná apoia Flávio.

A propaganda presidencial, portanto, pode transformar essa ambiguidade em problema eleitoral. Quanto mais a disputa entre Lula e Flávio assumir caráter plebiscitário, maior será a pressão para que Sandro deixe claro como pretende se posicionar diante dos dois polos.

Há um precedente metodológico que ajuda a entender o fenômeno. Questionários eleitorais aplicados no Paraná já testaram explicitamente candidatos estaduais acompanhados de seus padrinhos presidenciais: Sergio Moro apresentado com apoio de Flávio Bolsonaro, Requião Filho com apoio de Lula e Sandro Alex com apoio de Ratinho Junior.

Isso mostra que a associação entre eleições nacional e estadual não é apenas uma hipótese jornalística. Ela já foi incorporada ao desenho de pesquisas eleitorais.

No Senado, o efeito pode ser ainda mais complexo porque o Paraná terá dois votos.

A pesquisa RealTime Big Data de agosto colocou Deltan Dallagnol (Novo) com 19% no cenário consolidado de primeiro e segundo votos, seguido por Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL), com 17% cada, Gleisi Hoffmann (PT), com 15%, e Cristina Graeml (PSD), com 13%. Com margem de erro de dois pontos, os cinco aparecem dentro de uma faixa estatisticamente próxima.

A Paraná Pesquisas encontrou um cenário igualmente apertado, mas em patamar mais alto: Deltan com 34%, Curi com 29,6%, Gleisi com 28,1% e Filipe Barros com 26%. A pesquisa ouviu 1.520 eleitores entre 13 e 16 de agosto e está registrada no TSE sob o número PR-09048/2026.

A entrada da propaganda presidencial pode mexer justamente nesse eleitorado que ainda não consolidou as duas escolhas.

Deltan, embora seja um dos principais nomes da direita na disputa ao Senado, não terá uma candidatura presidencial de seu partido com presença própria no horário eleitoral. O Novo não está entre as candidaturas presidenciais com tempo em rede definido pelo TSE. Isso aumenta a importância da associação política construída nas ruas, nas redes e nos palanques com o campo bolsonarista.

Filipe Barros tem outra situação. Candidato ao Senado pelo PL, estará diretamente conectado à campanha de Flávio Bolsonaro. Cada inserção presidencial do partido poderá funcionar também como reforço indireto da marca eleitoral do PL no Paraná.

Gleisi Hoffmann, por sua vez, estará no polo oposto. Além de candidata ao Senado, é uma das principais lideranças nacionais do PT e integra a chapa estadual alinhada a Requião Filho. A campanha de Lula, portanto, pode oferecer a ela uma vitrine nacional que se soma à disputa paranaense.

Alexandre Curi terá de operar em terreno diferente. Filiado ao Republicanos, aparece no grupo de frente das pesquisas para o Senado, mas sua disputa não está automaticamente amarrada a um dos dois polos presidenciais. Cristina Graeml, do PSD, também enfrenta a mesma questão, enquanto o partido de Sandro Alex sustenta a candidatura presidencial de Caiado.

O problema central para os candidatos estaduais é que a propaganda nacional pode simplificar uma eleição que, no Paraná, ainda é mais fragmentada.

A pesquisa RealTime mostra Flávio com 44% para presidente e Moro com 37% para governador. Já Sandro aparece com 22% e Requião Filho com 20%. Em outra pesquisa, a Paraná Pesquisas colocou Moro em 46,1%, Requião em 23,4% e Sandro em 16,5%.

As diferenças entre os levantamentos também são um alerta contra a ideia de transferência automática de votos. Métodos, datas, amostras e questionários diferentes produzem fotografias diferentes. O que aparece de forma consistente é a presença de três campos competitivos na disputa estadual e uma forte polarização presidencial no eleitorado paranaense.

A campanha de rádio e televisão poderá, portanto, funcionar como acelerador dessa sobreposição.

Para Moro, a tarefa será converter a identidade com o eleitorado de Flávio em uma candidatura estadual própria, sem depender exclusivamente da eleição presidencial.

Para Requião Filho, o desafio será transformar a associação com Lula em voto estadual num ambiente em que o petismo enfrenta forte rejeição no Paraná, sem deixar que a disputa nacional apague sua agenda para o estado.

Para Sandro Alex, a equação é mais delicada: manter a candidatura presidencial de Caiado como posição partidária e, simultaneamente, disputar um eleitorado no qual Flávio tem vantagem expressiva.

No Senado, a guerra presidencial pode alterar a ordem dos segundos votos. E esse detalhe é decisivo porque são duas cadeiras. Um eleitor que escolha um candidato do PL ou do campo bolsonarista para uma das vagas pode combinar seu segundo voto com um nome de outro partido. Da mesma forma, um eleitor de Lula pode distribuir seu voto entre candidatos diferentes do campo governista.

É justamente aí que a televisão pode produzir um efeito que as pesquisas ainda não conseguem medir: não apenas deslocar o primeiro voto, mas reorganizar as combinações de voto.

A eleição paranaense entra, assim, numa nova etapa em 28 de agosto. A propaganda presidencial terá sua própria disputa nacional, mas seus efeitos serão sentidos nos palanques locais. O Paraná já apresenta uma fotografia presidencial favorável a Flávio e uma corrida estadual em que Moro aparece na frente. Ao mesmo tempo, Requião Filho tenta consolidar o voto associado a Lula, Sandro procura ocupar o centro governista e o Senado reúne cinco nomes em faixa competitiva.

A televisão não decidirá sozinha nenhuma dessas disputas. Mas poderá tornar impossível para candidatos estaduais esconderem de qual lado estão quando o eleitor for chamado a escolher presidente, governador e dois senadores na mesma urna.

O Blog do Esmael vai acompanhar como Lula e Flávio serão apresentados no Paraná, quais candidatos estaduais aparecerão nos palanques presidenciais e, principalmente, se a polarização nacional começará a alterar as combinações de voto para o Palácio Iguaçu e o Senado.

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