O desfecho do maior escândalo financeiro do mercado imobiliário global foi consolidado de forma exemplar na Ásia. Um tribunal popular de Shenzhen condenou à prisão perpétua o bilionário chinês Hui Ka Yan, fundador e ex-presidente do conselho de administração do falido Grupo Evergrande.
A sentença proferida nesta quinta-feira, 20 de agosto, considerou o empresário de 67 anos culpado por captação ilegal de depósitos públicos, fraude sistemática na emissão de títulos financeiros e desvios de recursos públicos. A Justiça chinesa também determinou o confisco imediato de todos os seus bens pessoais.
A condenação de Hui Ka Yan encerra a trajetória dramática do homem que chegou a ser considerado o mais rico da Ásia, com uma fortuna estimada em US$ 45 bilhões em 2017. O império ruiu após a Evergrande acumular uma dívida impagável superior a US$ 300 bilhões, arrastando o setor imobiliário global para o buraco.
A decisão de Pequim envia uma mensagem fulminante aos mercados internacionais. A punição severa demonstra que o governo do presidente Xi Jinping não hesitará em intervir de forma cirúrgica para estancar o risco sistêmico provocado pela especulação financeira, mesmo que isso custe a cabeça de um dos maiores barões do PIB.
O rigor da Justiça chinesa contrasta diretamente com o cenário de impunidade financeira que reina no Brasil. No território nacional, os donos do grande capital que quebram corporações gigantescas por meio de fraudes contábeis bilionárias costumam ser agraciados com moratórias fiscais camaradas e continuam desfilando livremente pela elite.
Enquanto a China estatiza perdas, confisca bens de fraudadores e envia bilionários para cumprir pena perpétua na cadeia, o governo brasileiro prefere socializar os prejuízos do mercado privatizado, transferindo a conta dos rombos contábeis diretamente para as costas do trabalhador por meio de cortes no orçamento público.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




