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Gleisi e Requião vão a Alckmin enquanto PSB racha

O deputado estadual e pré-candidato ao governo do Paraná Requião Filho (PDT) e a deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) reuniram-se nesta terça-feira, 21 de julho, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em Brasília. A pauta oficial foi a defesa da indústria e dos empregos ameaçados pela tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos, mas o encontro ocorre enquanto o PSB paranaense enfrenta uma convenção contestada e mantém indefinido o apoio nas eleições de outubro.

Requião Filho e Gleisi apresentaram a Alckmin os riscos enfrentados pelas empresas paranaenses que exportam para o mercado americano. O vice-presidente também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e atua como principal interlocutor do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas negociações comerciais.

Os Estados Unidos compram aproximadamente US$ 1,5 bilhão por ano do Paraná. Cerca de 700 empresas do estado obtêm receita com essas exportações, enquanto 16 dependem do mercado norte-americano para mais de 90% do faturamento, conforme os dados apresentados pelos parlamentares.

A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) estima que aproximadamente 75% das exportações industriais paranaenses aos Estados Unidos serão alcançadas pela nova cobrança. O efeito varia conforme a classificação tarifária de cada mercadoria, porque a medida norte-americana contém exceções.

A cadeia de madeira concentra a maior exposição. Dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostram que madeira e produtos de madeira responderam por 38,7% das vendas paranaenses aos Estados Unidos em 2024, com aproximadamente US$ 614,5 milhões exportados.

Molduras, compensados, madeira serrada, pisos, portas e móveis integram a lista de produtos sujeitos à tarifa, embora determinados itens tenham sido excepcionados. A cobrança começa em 22 de julho e será somada às tarifas que cada mercadoria já pagava para entrar nos Estados Unidos.

A cadeia florestal emprega cerca de 38 mil trabalhadores e mantém atividades em 266 dos 399 municípios paranaenses. Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Ventania e Guarapuava estão entre as cidades mais expostas pela concentração de serrarias, fábricas e florestas plantadas.

O impacto não termina nas indústrias exportadoras. Uma redução de encomendas pode atingir transportadoras, caminhoneiros, oficinas, fornecedores de máquinas, empresas de embalagem, postos de combustíveis, comércio local e arrecadação municipal.

A presença de Gleisi e Requião Filho no gabinete de Alckmin também produz uma fotografia eleitoral. Até as capivaras do Parque Barigui sabem que os dois pré-candidatos procuram atrair o PSB para o palanque formado em torno do presidente Lula no Paraná.

Isso não significa que o apoio socialista tenha sido discutido ou acertado na reunião. A pauta divulgada pelos participantes foi o tarifaço, e não existe anúncio formal de coligação. O contexto político, entretanto, torna impossível separar completamente a agenda econômica da disputa estadual.

Alckmin já havia participado por vídeo do lançamento das pré-candidaturas de Gleisi ao Senado e de Requião Filho ao Palácio Iguaçu, em 30 de maio, em Curitiba. Na ocasião, defendeu a unidade do grupo e associou publicamente os dois nomes ao projeto eleitoral governista no Paraná.

A nova reunião reforça a interlocução dos pré-candidatos com o principal nome nacional do PSB justamente quando o diretório paranaense atravessa uma crise interna.

O partido decidiu, em convenção virtual realizada na segunda-feira, 20 de julho, não lançar candidatos ao governo, ao Senado nem à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A estrutura eleitoral será concentrada em 31 candidaturas à Câmara dos Deputados, segundo informações obtidas pelo Blog do Esmael.

A retirada da disputa estadual atingiu Paulo Rossi, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação (Fenascon) e integrante da Executiva Municipal do PSB de Curitiba. Ele pretendia disputar uma cadeira na Alep e afirma que teve o acesso à plataforma da convenção bloqueado.

Segundo Rossi, a reunião durou menos de dez minutos e tratou somente das candidaturas federais. A declaração depende de resposta da direção estadual, mas a ausência de uma chapa para a Alep confirma que o espaço eleitoral pretendido pelo sindicalista foi eliminado pela decisão partidária.

Rossi contestou o encontro e cobra esclarecimentos sobre a condução da convenção. A ata, a gravação, a lista de participantes, o quórum e o resultado da votação são necessários para demonstrar quem decidiu retirar o PSB das disputas estaduais.

O partido também precisa informar se a exclusão das candidaturas ao governo, ao Senado e à Alep foi submetida aos convencionais ou apenas formalizada durante a reunião virtual.

A decisão deixa o PSB sem candidato próprio nas disputas que interessam diretamente a Requião Filho e Gleisi. Também abre uma pergunta sobre o destino político da legenda: neutralidade, apoio formal à chapa lulista ou outra composição estadual.

Não existe confirmação de que recursos do PSB serão transferidos a candidatos de outros partidos. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha destinado à legenda será aplicado conforme as regras e decisões partidárias, e a direção estadual ainda não divulgou a divisão entre os 31 candidatos federais.

Na agenda pública, Gleisi e Requião Filho foram a Alckmin defender empresas e empregos ameaçados pelo tarifaço. Na agenda eleitoral, aproximaram-se novamente do principal socialista do governo federal enquanto o PSB do Paraná abandona três disputas e precisa explicar uma convenção contestada.

O Blog do Esmael mantém aberto o espaço para manifestação do PSB do Paraná, de Paulo Rossi e dos responsáveis pela convenção. O partido deve divulgar a ata e esclarecer se apoiará Requião Filho e Gleisi? Comente e compartilhe.

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