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A nova pesquisa Datafolha, que será divulgada nesta sexta-feira (21), chega à corrida presidencial na primeira semana da campanha oficial e a sete dias do início do horário eleitoral gratuito. O levantamento será publicado a partir das 18h40 e é a primeira fotografia nacional depois do registro das candidaturas. O ponto central não será apenas quem aparece na frente, mas se o eleitorado mudou de posição diante dos novos fatos que atingiram Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A rodada anterior do Datafolha, divulgada em 24 de julho, mostrava Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio. No segundo turno, o presidente aparecia com 48%, ante 43% do senador. A pesquisa tinha margem de erro de dois pontos percentuais e ouviu 2.004 eleitores.
A nova rodada ganha peso porque o cenário político mudou desde aquela fotografia. As candidaturas foram formalizadas, a campanha começou oficialmente em 16 de agosto e a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão terá início em 28 de agosto.
É justamente nesse intervalo que o Datafolha pode mostrar se a disputa chegou à largada da televisão com o mesmo equilíbrio registrado por outros institutos ou se houve deslocamento relevante do eleitorado.
O que mudou desde julho
A pesquisa anterior foi feita antes de uma sequência de acontecimentos que passaram a ocupar o centro da disputa presidencial.
De um lado, Lula enfrenta o desgaste político provocado pelas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. De outro, Flávio Bolsonaro tenta transformar o caso em munição eleitoral contra o governo, enquanto continua sob os efeitos políticos da controvérsia envolvendo o filme “Dark Horse” e Daniel Vorcaro.
Reportagens publicadas nesta sexta-feira indicam que pesquisas internas do PT apontaram redução da vantagem de Lula sobre Flávio após o caso Lulinha. Trata-se, porém, de informação atribuída a levantamentos internos da legenda, e não de uma pesquisa eleitoral pública com metodologia disponível.
A nova Datafolha será, portanto, o primeiro teste público de alcance nacional para verificar se esse ambiente de conflito produziu alteração mensurável na intenção de voto.
Outro dado relevante é que a Quaest, divulgada em 14 de agosto, encontrou Lula com 38% no primeiro turno contra 31% de Flávio. No segundo turno, o placar era de 43% a 40%, dentro da margem de erro de dois pontos.
O BTG/Nexus, por sua vez, registrou Lula com 41% e Flávio com 36% no primeiro turno e 47% a 44% em um eventual segundo turno. O levantamento foi realizado entre 14 e 16 de agosto.
A fotografia dos institutos, portanto, já vinha indicando uma disputa mais apertada no segundo turno do que a diferença nominal do primeiro turno poderia sugerir.
A pergunta decisiva está no segundo turno
O dado mais importante da pesquisa desta sexta-feira pode não ser o primeiro turno.
Isso porque o segundo turno mede a capacidade de cada candidatura de ampliar sua coalizão eleitoral. Lula e Flávio chegam à nova pesquisa com índices elevados de rejeição. No Datafolha de julho, Flávio tinha 48% de rejeição e Lula, 46%, empate técnico dentro da margem de erro.
Na Quaest de agosto, Flávio aparecia com 54% de rejeição e Lula com 52%.
O problema eleitoral para os dois é semelhante em sua estrutura: ambos têm bases consolidadas, mas também carregam um contingente expressivo de eleitores que declara resistência.
Isso transforma a campanha de rádio e televisão em uma disputa pela parcela do eleitorado que ainda não está definitivamente fechada com nenhum dos dois.
A televisão entra no jogo
O calendário eleitoral coloca a pesquisa diante de uma mudança importante no ambiente de campanha.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu que o horário eleitoral gratuito do primeiro turno será veiculado de 28 de agosto a 1º de outubro. A audiência pública para elaboração do plano de mídia ocorreu em 20 de agosto.
A distribuição do tempo também já foi definida pelo TSE. A tabela oficial de representatividade partidária serve de base para a propaganda eleitoral gratuita e para a participação nos debates.
No caso de Lula e Flávio, a vantagem de tempo de televisão do campo governista é relevante para a estratégia da campanha. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira, Lula terá 5min31 de propaganda, contra 4min20 de Flávio.
Isso significa que a pesquisa desta sexta-feira funciona como uma espécie de linha de largada anterior à televisão.
O eleitor pesquisado ainda não foi submetido ao volume diário de mensagens que os programas eleitorais poderão produzir. A partir de 28 de agosto, a disputa ganhará uma nova camada: frequência, repetição, comparação entre candidatos e exposição de propostas e ataques.
Lula chega à televisão com vantagem, mas enfrenta desgaste
A situação de Lula combina duas forças diferentes.
O presidente mantém vantagem numérica nas pesquisas nacionais, especialmente no primeiro turno, mas enfrenta rejeição elevada e problemas políticos que podem ser explorados pela oposição.
A pesquisa Quaest de agosto mostrou 48% de desaprovação ao governo e 46% de aprovação. O mesmo levantamento apontou que 53% dos entrevistados consideravam que o país estava indo na direção errada.
A campanha petista, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, prepara uma estratégia ofensiva contra Flávio na televisão, com a intenção de disputar desde o começo a imagem do senador e impedir que ele se apresente nacionalmente apenas como uma alternativa moderada ao pai, Jair Bolsonaro.
A pesquisa Datafolha poderá indicar se Lula entra nessa etapa com uma vantagem suficientemente larga para resistir ao embate televisivo ou se a margem já é estreita antes mesmo de a propaganda começar.
Flávio precisa transformar segundo lugar em competitividade
Flávio, por sua vez, chega à nova rodada com um desafio específico.
O senador precisa demonstrar crescimento suficiente para converter a liderança de Lula no primeiro turno em uma disputa efetivamente aberta no segundo.
As pesquisas de agosto mostram que essa possibilidade não está descartada. Na Quaest, a diferença no segundo turno ficou em três pontos: 43% para Lula contra 40% para Flávio. No BTG/Nexus, o placar foi de 47% a 44%.
A nova Datafolha permitirá comparar esse movimento com a série histórica do próprio instituto.
Em julho, Lula tinha oito pontos de vantagem no primeiro turno e cinco no segundo.
Se a diferença permanecer semelhante, a fotografia apontará estabilidade. Se diminuir, haverá um novo dado político para a campanha. Se aumentar, o resultado reforçará a vantagem que o presidente vinha mantendo no Datafolha.
O eleitorado ainda não está todo definido
Outro ponto que merece atenção é o tamanho do eleitorado fora dos dois polos.
As pesquisas recentes mostram percentuais relevantes de votos brancos, nulos e eleitores indecisos, sobretudo nos cenários de segundo turno.
O próprio Datafolha identificou, em análises recentes, grupos que não aparecem de forma simples na fotografia tradicional da intenção de voto. O UOL chamou atenção nesta sexta-feira para eleitores que não declaram preferência, mas rejeitam Lula e poderiam migrar para Flávio em uma segunda rodada.
Esse contingente é particularmente importante porque a eleição presidencial tende a ser decidida pela capacidade de cada candidato de ampliar seu eleitorado entre o primeiro e o segundo turno.
Por isso, a pergunta desta sexta-feira não é apenas “quem lidera?”.
É quanto cada candidato consegue crescer, quanto cada um perdeu e qual parcela do eleitorado continua disponível para ser disputada.
A pesquisa antes da propaganda
A importância da nova Datafolha está justamente no intervalo em que ela será divulgada.
A pesquisa captura o eleitor depois do registro das candidaturas, depois do início oficial da campanha e antes da entrada em cena do principal instrumento de comunicação de massa da eleição presidencial.
A partir de 28 de agosto, Lula e Flávio terão condições diferentes de exposição no rádio e na televisão. A vantagem de tempo do presidente será um dos elementos concretos da disputa.
Por isso, a rodada desta sexta-feira deve ser lida como uma fotografia de transição.
Ela não prevê o resultado de outubro. Mostra, porém, o ponto de partida da disputa no momento em que a eleição deixa para trás a fase de pré-campanha e começa a entrar no cotidiano do eleitor.
Se houver mudança relevante em relação aos 40% a 32% do primeiro turno e aos 48% a 43% do segundo turno registrados em julho, o dado poderá alterar imediatamente a estratégia dos dois principais comitês.
Se houver estabilidade, a mensagem será outra: a guerra política das últimas semanas ainda não teria sido suficiente para alterar de maneira significativa o mapa nacional de intenções de voto.
Os números estarão disponíveis a partir das 18h40 desta sexta-feira (21). A partir deles, será possível medir o que efetivamente mudou no eleitorado antes de Lula e Flávio entrarem na televisão.
Leia no Blog do Esmael a análise dos números assim que o Datafolha divulgar a nova rodada.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




