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Caso Deltan acirra racha entre Graeml e Chiquini no PR

A suspensão dos atos de campanha de Deltan Dallagnol (Novo) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma disputa paralela dentro da direita paranaense na reta final das eleições de 2026. Jeffrey Chiquini (Novo), candidato a deputado federal, atacou Cristina Graeml (PSD), candidata ao Senado, por sua reação ao caso Deltan. Cristina respondeu. No meio da troca de acusações, a briga deixou de ser apenas jurídica e passou a envolver votos, Fundo Eleitoral, Centrão e a possibilidade de a divisão favorecer adversários como Gleisi Hoffmann (PT).

O ponto jurídico precisa ser separado da pancadaria eleitoral. Deltan não teve, até 23 de setembro, o registro de candidatura definitivamente cassado em 2026. O TSE confirmou por 5 votos a 2 a cautelar que suspende seus atos de campanha enquanto julga o recurso contra o deferimento dado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). Deltan está impedido de pedir votos, participar de debates, aparecer na propaganda gratuita e utilizar recursos públicos de campanha.

A controvérsia remonta à eleição de 2022. Em 2023, o próprio TSE cassou por unanimidade o registro de Deltan para deputado federal ao concluir que sua exoneração antecipada do Ministério Público Federal configurou fraude à lei diante dos procedimentos disciplinares existentes na época. O TRE-PR, porém, voltou a deferir o registro em 2026 por 4 votos a 3, decisão que agora está sob recurso no TSE.

Foi sobre esse terreno jurídico que Cristina Graeml publicou sua reação à suspensão. Chiquini desqualificou a manifestação de solidariedade da candidata e tratou as lágrimas exibidas por ela como politicamente interessadas: Cristina também disputa uma das duas vagas ao Senado e, portanto, concorre pelo mesmo eleitorado que Deltan busca mobilizar.

O ataque foi além. Segundo o Bem Paraná, Chiquini acusou Cristina de criar a impressão de que Deltan havia deixado a disputa e afirmou que uma eventual eleição de Gleisi Hoffmann ficaria “na conta” da candidata do PSD. Também desafiou Cristina a publicar outro vídeo esclarecendo aos seguidores que Deltan continua candidato, apesar de estar impedido de fazer campanha.

Chiquini partiu depois para a trajetória política da adversária. Disse que Cristina “não tem compromisso com a verdade”, criticou sua filiação ao PSD, a aproximação com Rafael Greca (MDB) e o uso de recursos públicos de campanha. Nas redes, ele também passou a ironizá-la como “Cristina Kassab”, numa referência a Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.

Há, porém, uma precisão necessária na acusação financeira. Chiquini afirmou que Cristina “recebeu R$ 3,5 milhões do Kassab”. Os dados de prestação de contas reproduzidos a partir da base do TSE mostram um repasse de R$ 3,5 milhões feito em 28 de agosto pela Direção Nacional do PSD à campanha de Cristina. Portanto, atribuir pessoalmente o dinheiro a Kassab funciona como linguagem política, mas o doador registrado é o partido, não Kassab como pessoa física. (72Horas)

Cristina reagiu recuperando seu histórico de defesa de Deltan. Disse acompanhar a trajetória do ex-procurador desde a Operação Lava Jato e recordou que, em 2023, quando o mandato parlamentar dele foi cassado, manifestou-se publicamente em sua defesa. “Defendi meu então colega”, afirmou ao rebater Chiquini e divulgar vídeos antigos para sustentar sua versão. (Bem Paraná)

O conflito tem uma razão eleitoral mensurável. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 21 de setembro, feita presencialmente com 1.600 eleitores entre 11 e 15 de setembro, registrou Deltan com 19%, Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL) com 18% cada, Gleisi com 16% e Cristina com 15%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, o nível de confiança é de 95% e o levantamento está registrado como PR-00532/2026. Os cinco nomes aparecem concentrados em apenas quatro pontos percentuais.

Esse levantamento, porém, foi realizado antes da suspensão determinada em 19 de setembro. Portanto, não permite afirmar que Cristina, Filipe, Curi, Gleisi ou qualquer outro candidato tenha efetivamente ganhado votos com a decisão contra Deltan. A existência de interesse eleitoral é uma interpretação de Chiquini; o deslocamento de votos precisará ser medido por pesquisas feitas depois da mudança jurídica.

A pesquisa IRG divulgada em 22 de setembro reforça outro ingrediente da disputa. Como o Paraná elege dois senadores, o primeiro e o segundo votos podem produzir comportamentos diferentes. Deltan apareceu com 24% no primeiro voto, Gleisi com 21,1%, Curi com 20,4%, Filipe com 12,8% e Cristina com 6%. No segundo voto, Cristina marcou 11,6%, exatamente o mesmo percentual atribuído a Deltan. O levantamento ouviu 1.200 pessoas entre 17 e 20 de setembro, com margem de 2,83 pontos e registro PR-01172/2026, o que significa que seu campo atravessou apenas parcialmente o início da crise no TSE. (Ric.com.br)

A confusão também puxou para o ringue Arilson Chiorato (PT), presidente estadual do partido e candidato a deputado federal. Em uma publicação do PT Brasil no Instagram que fazia referência a Deltan, Chiquini comentou: “Só ganham se for no tapetão, né?”. Chiorato respondeu: “se eu gostasse de Mi Mi Mi eu comprava um gato gago! Se liga Chiquinho!”. A captura da troca mostra que o confronto deixou de envolver apenas Cristina, Deltan e o Novo.

Chiorato e Chiquini, aliás, já carregavam outro conflito da campanha. Em 10 de setembro, o petista pediu à Justiça Eleitoral a cassação do registro de Chiquini por suposto abuso ligado a conteúdo digital. Uma liminar determinou a retirada de determinadas publicações, mas não decidiu o pedido de cassação. Chiquini respondeu dizendo que um dos canais citados na acusação era falso e que já havia comunicado o caso ao TRE-PR e registrado boletim de ocorrência.

A metáfora do “canibalismo” descreve o componente eleitoral da briga, mas o dado verificável é mais preciso: candidaturas e partidos do mesmo campo de direita e centro-direita disputam parcelas sobrepostas do eleitorado enquanto restam duas cadeiras no Senado. O Novo tenta preservar Deltan; Cristina precisa defender sua própria candidatura; Filipe Barros disputa a mesma faixa conservadora; Alexandre Curi busca espaço pela chapa governista. Gleisi e Dr. Rosinha, do PT, observam uma divisão que pode alterar a distribuição dos dois votos de cada eleitor.

O bate-boca entre Cristina Graeml e Jeffrey Chiquini, portanto, não determina para onde irão os votos de Deltan caso sua situação jurídica mude. Ele confirma algo mais concreto: a suspensão da campanha do candidato do Novo transformou uma disputa apertada por duas vagas numa batalha também pelo controle de uma mesma faixa do eleitorado paranaense.

Acompanhe no Blog do Esmael a reta final da disputa pelo Senado e o julgamento do caso Deltan no TSE.

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