Cappelli barra compra do Master pelo BRB com pressão política e redes sociais

O Banco Central rejeitou a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), após intensa mobilização do jornalista Ricardo Cappelli (PSB-DF), presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pré-candidato ao governo do Distrito Federal. Nas redes sociais e nos bastidores, Cappelli denunciou o que chamou de “negociata de R$ 2 bilhões” envolvendo políticos do Centrão, dirigentes do BRB e até membros do próprio BC.

“Vitória, vitória!”, comemorou Cappelli em vídeo publicado logo após a decisão do Banco Central nesta quarta-feira (3). “Quando a gente tem coragem de lutar e denunciar, a vitória vem. Ibaneis e Celina, podem se preparar: vamos continuar defendendo os interesses do povo do Distrito Federal.”

O BRB, controlado pelo governo do DF, havia anunciado em março a intenção de comprar 58% do Banco Master, incluindo 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais. O negócio, estimado em R$ 2 bilhões, dependia do aval do Banco Central, que já havia sinalizado preocupação com os riscos do Master, envolvido em operações com precatórios e CDBs de alto risco.

Apesar do aval do Cade, que não identificou problemas concorrenciais, a diretoria do BC indeferiu o pedido. Segundo apuração, o diretor Renato Gomes foi o mais resistente à operação, que poderia impactar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em caso de quebra do Master.

Cappelli, que ganhou projeção como interventor na segurança de Brasília após o golpe fracassado de 8 de janeiro de 2023, se tornou figura central na denúncia contra a operação. Pupilo do ministro do STF Flávio Dino, de quem foi secretário executivo no Ministério da Justiça, ele tem usado sua candidatura ao Palácio do Buriti como plataforma de enfrentamento a Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão (PP).

Em suas postagens, Cappelli acusou o esquema de tentar “transferir dinheiro público para banqueiro amigo de Ibaneis e Celina”. Ele reforçou que a decisão do BC é apenas “a primeira vitória” e prometeu ampliar a ofensiva contra o grupo governista.

De acordo com a denúncia de Cappelli, o Governo do DF deixaria de colocar R$ 2 bilhões na saúde pública para agradar amigo banqueiro de Ibaneis e Celina.

O veto ocorreu em meio a uma ofensiva do Centrão no Congresso, que tenta aprovar projeto para reduzir a autonomia do BC e permitir a demissão de diretores. A movimentação foi interpretada no governo como pressão direta para forçar a aprovação da venda do Master.

Ao barrar a operação, o Banco Central não apenas preservou a estabilidade financeira, como também expôs a tentativa de captura de uma instituição pública em favor de interesses privados. A vitória de Cappelli mostra a força da mobilização pública contra negócios de gabinete. A disputa em torno do BRB, porém, deve pautar com força a eleição de 2026 no Distrito Federal.

Ao barrar a operação, o Banco Central não apenas preservou a estabilidade financeira, como também expôs a tentativa de captura de uma instituição pública em favor de interesses privados. A vitória de Cappelli mostra a força da mobilização pública contra negócios de gabinete e deve pautar com força a eleição de 2026 no Distrito Federal. Para o povo do DF, fica o recado: quando a coisa complica, chama o Cappelli.

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Banco Central proibiu negociata de R$ 2 bilhões após veemente denúncia de Ricardo Cappelli. Foto: reprodução/redes sociais