Beto Richa odeia o serviço público, por Enio Verri

enio richaPara o deputado Enio Verri (PT-PR) o governo Beto Richa (PSDB), do Paraná, vê a “Coisa Pública” como um estorvo a ser eliminada, em favor da iniciativa privada; ela é um espaço onde se gerenciam questões privadas de quem, por ora, ocupa o Palácio Iguaçu.

Beto Richa odeia o serviço público

Enio Verri*

Economia

Tive a honra, no dia de ontem, de presidir a mesa de abertura do debate “Que Serviço Público Queremos?”, organizado pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado e pela Associação dos Funcionários do Ipea. A discussão com servidores de todo o Brasil, que lotaram o auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, apresentou a imprescindibilidade do serviço público para o desenvolvimento da nação, reconheceu haver contradições na prestação dos serviços por parte de representantes da classe, e apontou os ataques deletérios perpetrados por Temer e seus asseclas.

O evento remeteu-me ao estado do Paraná, onde deve ser perguntado ao governador, Beto Richa, “- a quem serve o seu governo”? O tratamento dispensado ao serviço público do estado é alinhado ao pensamento liberalizante do mercado que comanda a camarilha Temer. Para o governador, quando a Coisa Pública não é tratada como um estorvo a ser eliminada, em favor da iniciativa privada, ela é um espaço onde se gerenciam questões privadas de quem, por ora, ocupa o Palácio Iguaçu. Há descaso e malversação em várias áreas. Por falta de espaço, fiquemos apenas na Educação.

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Já no primeiro mandato, Richa se antecipa a Temer e começa asfixiar o Estado na sua capacidade de desenvolver educação, pesquisa e ciência. O orçamento das universidades estaduais, em 2012, foi cortado em 38%. O orçamento da Universidade Estadual de Maringá (UEM), entre 2009 e 2010, foi de R$ 22 milhões. Em 2012, foi cortado em quase 25%. Dos mais de R$ 4 milhões investidos em pesquisa e extensão, no ano de 2011, pouco mais de R$ 1 milhão foi investido, em 2012. Ou seja, o Paraná tem um governador que acredita no desenvolvimento a partir do desinvestimento do Estado.

Em países como, Alemanha, França e Finlândia, por exemplo, o serviço público ocupa 35% da força de trabalho dos países. No Brasil, esse índice não passa de 12%. Na França, uma entre quatro pessoas é servidora pública. E não são países socialistas, pelo contrário. Porém, a sociedade tem consciência da necessidade dos servidores públicos. Já no Paraná, ocorre o desinvestimento para precarizar materialmente e produzir gente cada vez menos capacitada, que tornará o serviço público ineficiente e desinteressante para a sociedade. Ou seja, pronto para privatiza-lo.

Richa ataca na raiz, na formação. Ele suspendeu os 33% de Hora-Atividade a que todo professor deve ter para elaborar aulas, avaliar trabalhos, produzir exercícios e provas. Docentes dos mais avançados países têm tempo para se dedicar a produzir aulas cada vez mais interessantes e desafiadoras para seu estudante que, um dia, pode vir a ser servidor público. O desprezo de Richa, tanto pela educação quanto pelo serviço público, impõe mais tempo de sala aos professores. A medida tornará as classes desinteressantes para os discentes e deixará os docentes exaustos e improducentes.

Além do desinvestimento, a corrupção é outra chaga que destrói o serviço público e descredibiliza os servidores. De todas as operações dos órgãos de fiscalização e controle do Paraná, contra o governo, a Quadro Negro é reveladora do traço covarde de Richa, da sua abjeção pela educação e sua deslealdade com a sociedade paranaense, que o elegeu para trabalhar pelo Estado, e não contra ele. Segundo investigações e delações premiadas, foram desviados R$ 20 milhões que abasteceram a campanha de reeleição de Richa, em 2014.

Escolas deixaram de ser construídas e reformadas porque o dinheiro dos impostos foi desviado por um consórcio entre servidores públicos e privados desonestos. Estudantes pobres tiveram pioradas as condições materiais e didáticas da sua batalha diária de superação da condição social em que eles nunca pediram para ser colocados. Para não dizer que não falei das flores, a truculência é outra marca do autoritário governo Richa, que tem as mãos indelevelmente manchadas com o sangue arrancado dos professores, no dia 29 de abril de 2015.

O serviço de público que queremos ainda está por vir. A julgar pelo esforço e dedicação dos servidores de todo o Brasil, estamos mais perto que longe. Devemos estar atentos para as medidas impostas, tanto por Richa, quanto por Temer. Elas visam tão somente destruir o serviço público em favor do mercado financeiro. Brasília sediou um belo ato, no qual faltou espaço para caber todos que compareceram. Somente a unida mobilização da classe fará frente às propostas desestruturantes impostas pelos liberais contra o imprescindível serviço público. Uni-vos.

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.

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