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Bancos e igrejas caçam o 13º, enquanto povo busca felicidade

O 13º salário virou campo de batalha do fim de ano.

De um lado, os bancos posam de santos e pedem que o brasileiro “honre seus compromissos”.

De outro, igrejas farejam o bônus natalino como incenso na madrugada e convocam fiéis para “propósitos financeiros” com Deus.

Entre dízimos, boletos e pastorais bancárias, o trabalhador tem um desejo simples, legítimo e constitucional da vida: ser feliz.

A velha mídia repete que “o 13º deve ser usado para pagar dívidas”, como se o brasileiro tivesse obrigação moral com os oligarcas da Faria Lima.

Curiosamente, ninguém abre o programa televisivo para dizer que o índice de felicidade sobe quando a criança ganha presente, quando a mesa tem peru ao invés de salsicha, quando o casal se dá o luxo de um jantar sem dividir o prato.

Os mais ricos pregam liturgia da austeridade, enquanto boa parte deles é devedora contumaz à União.

Vendem a ideia de que inadimplência dos mais pobres é pecado e que só é “cidadão pleno” quem paga juros extorsivos para bancos que lucram bilhões desde a autonomia formal do Banco Central, sancionada por Jair Bolsonaro do PL em fevereiro de 2021.

A FEBRABAN até ensaia voz doce e fala em “educação financeira”, mas no fundo defende a conversão do salário em juros e tarifas.

Do outro púlpito, a ala neopentecostal organiza vigílias com máquinas de cartão.

A promessa? Prosperidade. O método? Envelope, voto de fé e transferência instantânea.

A retórica da “semeadura do 13º” ganha sotaque bíblico, mas mira em meta contábil.

Falam em salvação, mas querem é saldo.

O trabalhador, porém, sabe das coisas. Dívida não é pecado. Às vezes, é ato de resistência.

Parcelar a TV nova para a Copa, comprar a boneca sonhada, garantir o panetone importado. Tudo isso alimenta o espírito tanto quanto a oração.

A satisfação material também cura a alma. E a economia gira quando o povo compra, não quando ajoelha diante do gerente.

A vida não é planilha da Faria Lima nem livro-caixa da congregação.

É mesa cheia, criança sorrindo, abraço no fim da noite, plano para o ano seguinte.

O que tem mais valor econômico e moral: pagar dízimos compulsórios para bancos e templos, ou ver a família reunida com dignidade na ceia?

O 13º pertence a quem o ganhou com suor. Se tem dívida, renegocia. Se quer gastar, gaste.

Não falta dedo em riste para culpar o consumo popular, mas nunca falta boca para engolir champagne no camarote financeiro.

A alegria do povo não pode ser tributada, nem bancária, nem religiosa. E felicidade não entra no Serasa.

Aqui se vigia o mercado, o púlpito e a maquininha. E se protege o direito sagrado de ser feliz. Leia no Blog do Esmael.

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