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Atlas/Bloomberg: Cury ultrapassa nomes da direita e Sul vira alerta para oposição

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Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (31) mostra Lula com 43,4% no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 33,7% e Augusto Cury com 7,8%; no Sul, petista chega a 46,9%, enquanto Flávio fica em 32,5%

A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (31) embaralha o campo da direita na corrida presidencial de 2026 ao registrar o escritor Augusto Cury (Avante) com 7,8% das intenções de voto, numericamente à frente de Renan Santos (Missão), com 7,6%, Ronaldo Caiado (PSD), com 3,3%, e Romeu Zema (Novo), com apenas 1%.

O dado chama atenção porque Cury aparece praticamente empatado com Renan Santos no plano nacional, mas muito à frente de Caiado e Zema, nomes que já disputaram eleições executivas e construíram trajetória política antes da corrida presidencial.

Na fotografia produzida pela AtlasIntel, Lula (PT) lidera o primeiro turno com 43,4%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 33,7%. Cury aparece em terceiro, com 7,8%, e Renan Santos em quarto, com 7,6%. Pablo Marçal (PRTB) marca 1,9%, Caiado 3,3%, Zema 1% e os demais candidatos ficam abaixo desse patamar.

O crescimento de Cury é particularmente relevante na série apresentada pelo levantamento. O escritor sai de 0% em abril, passa por 3% em junho e 4% em julho para chegar a 7,8% em agosto. Renan Santos, por outro lado, aparece em 8% em junho e julho e recua para 7,6%.

A pesquisa, portanto, registra um movimento que merece atenção dos partidos: um candidato sem carreira política tradicional alcança, no levantamento, o mesmo patamar de um dos nomes mais identificados com a direita liberal/conservadora e supera com folga governadores que chegaram à disputa presidencial com estruturas políticas próprias.

O dado que pode interessar ao Paraná está no Sul

O recorte regional é ainda mais importante para a política paranaense.

No Sul, Lula aparece com 46,9%, contra 32,5% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury registra 4,6%, enquanto Renan Santos chega a 11,2%, Caiado a 1,3% e Zema a 0,9%.

O resultado regional precisa ser lido com uma ressalva: a pesquisa não apresenta, neste material, um recorte específico para o Paraná. Portanto, não é possível transformar diretamente os 46,9% de Lula no Sul em uma previsão para o eleitorado paranaense.

Mas o número tem peso político porque o Sul é justamente uma das regiões em que a direita tradicionalmente busca uma vantagem maior sobre o petista. Se essa fotografia estiver próxima do comportamento efetivo das urnas, a eleição presidencial poderá produzir efeitos sobre as disputas estaduais e para o Senado nos três estados da região.

No Paraná, a consequência potencial é direta para as estratégias de campanha. Uma eventual redução da vantagem da direita na região modifica o cálculo de candidatos que dependem do eleitorado conservador para chegar ao segundo turno ou conquistar cadeiras no Senado.

Também muda a leitura sobre a transferência de votos entre as diferentes correntes da direita. A pesquisa mostra que Flávio Bolsonaro concentra 32,5% no Sul, mas Renan Santos chega a 11,2%, enquanto Cury aparece com 4,6%. Ou seja, a direita não se comporta como um bloco eleitoral homogêneo no recorte regional.

Essa fragmentação pode ser decisiva em eleições estaduais nas quais candidatos associados à direita disputam simultaneamente o mesmo eleitorado.

Cury cresce justamente quando a campanha começa a ganhar forma

A evolução nacional do escritor é o ponto mais novo do levantamento.

Em abril, Cury aparecia com 0%. Em junho, tinha 3%. Em julho, 4%. Na rodada de agosto, saltou para 7,8%. No mesmo período, Renan Santos permaneceu na faixa de 7% a 8%, enquanto Caiado e Zema não conseguiram acompanhar o movimento.

A pesquisa não permite afirmar que Cury tenha convertido audiência em votos ou que seu desempenho seja consequência direta de redes sociais. Essa interpretação exigiria dados adicionais sobre conhecimento, exposição e origem dos votos.

O que o levantamento permite afirmar é mais objetivo: Cury aparece pela primeira vez em um patamar nacional capaz de colocá-lo numericamente entre os principais nomes do campo não lulista, ainda que muito distante de Lula e Flávio.

O cruzamento por idade também mostra uma característica importante da candidatura. Cury alcança 12,1% entre eleitores de 16 a 24 anos, 19,8% entre 25 e 34 anos e 9,1% na faixa de 35 a 44 anos. Entre os eleitores de 45 a 59 anos, são 4,3%, e entre os maiores de 60 anos, 0,3%.

O perfil ajuda a explicar por que sua presença eleitoral pode ser diferente da de candidatos tradicionais.

Lula mantém vantagem, mas o Sul merece atenção

O Atlas/Bloomberg registra uma vantagem nacional de 9,7 pontos percentuais de Lula sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno: 43,4% contra 33,7%.

No Sul, entretanto, a diferença aumenta para 14,4 pontos: 46,9% para Lula contra 32,5% para Flávio.

Esse dado contrasta com a percepção de que o Sul seria um território eleitoral naturalmente mais favorável à oposição de direita. A pesquisa mostra que, neste levantamento, o petista conserva uma vantagem expressiva mesmo diante de Flávio Bolsonaro.

Há, porém, uma variável adicional: a fragmentação.

Somados Cury, Renan Santos, Caiado, Marçal, Zema e os demais candidatos apresentados no recorte regional, a oposição aparece distribuída entre diferentes nomes. O resultado significa que a fotografia do primeiro turno não deve ser confundida com uma fotografia de segundo turno, quando parte desse eleitorado poderia migrar para os dois candidatos mais votados.

O alerta para as eleições no Paraná

É nesse ponto que a pesquisa nacional ganha dimensão paranaense.

Se o desempenho de Lula no Sul se confirmar em levantamentos posteriores, a eleição de 2026 poderá exigir uma revisão das estratégias de candidatos ao governo e ao Senado que apostam numa onda presidencial da direita para turbinar suas próprias campanhas.

Isso não significa que o levantamento possa antecipar o resultado no Paraná. Não pode. O estudo apresenta o Sul como uma macrorregião e não fornece, nas páginas analisadas, uma estimativa específica para o Estado.

A consequência política é outra: candidatos paranaenses terão de observar se o comportamento presidencial regional se repete nas pesquisas estaduais.

A disputa pelo governo do Paraná, que já apresenta forte concentração do eleitorado em torno de nomes como Sergio Moro, Requião Filho e Sandro Alex, pode sofrer impactos caso o voto presidencial se torne menos favorável à direita do que parte das campanhas imagina.

O mesmo vale para o Senado. Em uma eleição de duas vagas, pequenas alterações na capacidade de cada candidato de mobilizar o eleitorado presidencial podem alterar o equilíbrio entre os concorrentes.

A pesquisa Atlas/Bloomberg, portanto, não entrega uma previsão para o Paraná. Entrega um sinal para ser acompanhado.

E o sinal é duplo: Lula aparece forte no Sul e a direita apresenta fragmentação suficiente para produzir resultados diferentes conforme a candidatura consiga ou não concentrar os votos do campo oposicionista.

Metodologia

A pesquisa Atlas/Bloomberg entrevistou 5.014 pessoas, entre 22 e 27 de julho de 2026, por meio do método Atlas Random Digital Recruitment (RDR). A margem de erro indicada é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07972/2026.

Segundo a metodologia apresentada, os entrevistados são recrutados durante a navegação na internet e a amostra passa por pós-estratificação considerando sexo, idade, escolaridade, renda, região e comportamento eleitoral anterior.

Há, portanto, uma fotografia nacional robusta em tamanho de amostra, mas que deve ser lida dentro das características do método utilizado e, sobretudo, sem transformar o recorte regional em estimativa estadual.

O dado político mais importante, por enquanto, é outro: Augusto Cury entrou no radar eleitoral nacional e a direita chega à nova rodada da corrida presidencial ainda dividida em diferentes candidaturas.

Para o Paraná, fica a pergunta que as próximas pesquisas estaduais terão de responder: o eleitor que aparece menos alinhado à direita no voto presidencial também vai mudar o desenho das disputas pelo Palácio Iguaçu e pelas duas cadeiras do Senado?

Leia no Blog do Esmael e acompanhe a corrida eleitoral de 2026:

Aqui está o relatório da pesquisa