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Datafolha, chamada de “DataBozo” nos bastidores de 2026, registra nova pesquisa presidencial para medir efeito da propaganda eleitoral e o potencial de Augusto Cury
O Instituto Datafolha registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma nova pesquisa presidencial que vai captar a disputa após o início da propaganda eleitoral. O levantamento, registrado em 28 de agosto sob o número BR-03669/2026, terá 2.002 entrevistas e será divulgado em 3 de setembro.
A pesquisa será uma das primeiras fotografias da corrida presidencial depois da entrada efetiva dos candidatos no rádio, na televisão e na campanha eleitoral mais ampla. O trabalho de campo está previsto entre 1º e 3 de setembro, justamente quando os eleitores começam a receber uma quantidade maior de mensagens dos candidatos.
O levantamento também coloca uma questão política no centro da disputa: Augusto Cury (Avante) conseguirá transformar sua força nas redes sociais e a exposição obtida na televisão em intenção de voto?
O escritor aparece no questionário do Datafolha ao lado de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e outros concorrentes. A pesquisa ainda testa Cury nos índices de rejeição e mede o grau de decisão do eleitor.
Cury entra no radar do segundo turno
O ponto mais interessante do novo levantamento não está apenas no percentual que Cury poderá alcançar, mas no tipo de eleitor que eventualmente consiga capturar.
A hipótese que circula entre estrategistas eleitorais é que uma candidatura de terceira via com capacidade de crescer pode retirar votos tanto do campo lulista quanto do bolsonarista, além de alcançar uma parcela dos eleitores que ainda não cristalizaram sua decisão.
Esse movimento pode ser decisivo para a definição do segundo turno.
A pesquisa anterior do Datafolha, divulgada em 21 de agosto, mostrava Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 33% no primeiro turno. Augusto Cury aparecia com 2%, enquanto Ronaldo Caiado tinha 5%, Renan Santos 4% e Zema 3%.
No levantamento do PoderData divulgado em 27 de agosto, porém, Cury chegou a 4%, empatado numericamente com Caiado e Renan Santos. Lula tinha 38% e Flávio, 35%.
É justamente essa movimentação que o novo Datafolha poderá esclarecer.
Pesquisa testa voto decidido e rejeição
O questionário registrado no TSE vai além da intenção de voto.
Depois de apresentar os candidatos, o Datafolha pergunta se o eleitor está “totalmente decidido” ou se seu voto ainda pode mudar. Também investiga se a escolha ocorre pelas propostas e preparo do candidato ou para impedir a eleição de outro concorrente.
A pesquisa ainda mede a rejeição dos presidenciáveis, perguntando em quais candidatos o entrevistado não votaria de jeito nenhum.
Esse conjunto de perguntas é particularmente relevante para Cury porque permite verificar se eventual crescimento representa voto consolidado ou apenas uma preferência ainda vulnerável à campanha.
O Datafolha também pergunta sobre consumo de conteúdo eleitoral nas redes sociais, inclusive em perfis de candidatos, jornalistas, veículos de comunicação, amigos e familiares, influenciadores e grupos de WhatsApp ou Telegram.
A resposta poderá ajudar a dimensionar quanto da campanha digital está efetivamente chegando ao eleitor.
Lula x Flávio: a disputa que pode definir a eleição
O novo levantamento também vai testar quatro cenários de segundo turno: Lula contra Flávio Bolsonaro, Lula contra Ronaldo Caiado, Lula contra Zema e Lula contra Renan Santos.
A principal referência continua sendo o confronto entre Lula e Flávio.
Na pesquisa Datafolha anterior, o petista tinha 47% contra 43% do senador. No BTG/Nexus divulgado em 24 de agosto, Lula marcou 46% e Flávio 45%. Já o PoderData de 27 de agosto apontou 45% para Lula e 44% para Flávio. Os três levantamentos indicaram uma disputa apertada.
No primeiro turno, portanto, a questão não é apenas saber quem lidera. É saber quanto dos votos ainda disponíveis será distribuído entre os candidatos menores e quanto poderá ser convertido em voto útil.
É aí que Cury entra como variável potencialmente relevante.
Propaganda eleitoral será primeiro teste
O novo Datafolha terá uma característica que diferencia o levantamento dos anteriores: ele vai medir a corrida depois do início da propaganda eleitoral.
A pesquisa terá amostra nacional de 2.002 entrevistas, margem de erro máxima de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A amostragem será estratificada pelas cinco regiões brasileiras e por capital, região metropolitana e interior.
O Datafolha informa que as entrevistas serão presenciais, em pontos de fluxo populacional, com ponderação por região, natureza do município, gênero e faixa etária. A amostra prevista é de 47% de homens e 53% de mulheres.
O levantamento é contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo., com valor informado de R$ 307.641,60.
A divulgação está marcada para 3 de setembro, o que coloca a pesquisa no centro da cobertura eleitoral na primeira semana de setembro.
Mais do que uma nova fotografia, o levantamento poderá funcionar como um primeiro teste sobre quem conseguiu transformar campanha, televisão e redes sociais em voto.
E, caso Augusto Cury confirme crescimento, a disputa que hoje parece caminhar para uma polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro poderá ganhar uma variável capaz de mexer justamente no ponto mais sensível da eleição: a formação do segundo turno.
Serviço da pesquisa
Registro: BR-03669/2026
Instituto: Datafolha
Cargo: presidente
Amostra: 2.002 entrevistas
Campo: 1º a 3 de setembro de 2026
Divulgação: 3 de setembro de 2026
Margem de erro: 2 pontos percentuais
Confiança: 95%
Metodologia: entrevistas presenciais em pontos de fluxo
Abrangência: nacional
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




