Ataque aéreo israelense mata líder do Hezbollah em Beirute

Em um dos ataques mais intensos realizados por Israel desde o início das hostilidades com o Hezbollah em 2023, um bombardeio aéreo nos subúrbios de Beirute matou pelo menos 12 pessoas e feriu outras 66. Entre os mortos, está Ibrahim Aqil, importante líder militar do Hezbollah e procurado pelos Estados Unidos por sua suposta ligação com o atentado à embaixada americana no Líbano, em 1983.

O exército israelense afirmou que a operação foi um ataque seletivo, visando Aqil e outros 10 comandantes da unidade de elite Radwan do Hezbollah. A morte de Aqil foi confirmada por fontes de segurança no Líbano, embora o grupo libanês apoiado pelo Irã ainda não tenha se pronunciado oficialmente. Esse assassinato intensifica as já acirradas tensões entre Israel e Hezbollah, aumentando o temor de uma escalada no conflito.

O Líbano em colapso

Além desse ataque, a semana no Líbano foi marcada por uma série de eventos devastadores. Uma operação anterior resultou na explosão simultânea de milhares de dispositivos de comunicação usados por membros do Hezbollah, deixando mais de 3 mil feridos e 42 mortos. Esta foi a terceira vez que a capital libanesa foi alvo de ataques aéreos desde outubro de 2023, quando o Hezbollah disparou foguetes em apoio ao Hamas, que também está em conflito com Israel.

Beirute enfrenta agora uma nova onda de destruição. Vídeos do local atingido mostram escombros e veículos carbonizados ao redor de um prédio parcialmente destruído. A Defesa Civil Libanesa recomendou que a população permanecesse em suas casas para facilitar o trabalho das equipes de resgate.

Resposta do Hezbollah

Em retaliação ao ataque aéreo israelense, o Hezbollah disparou mais de 100 foguetes em direção ao norte de Israel, atingindo bases militares nas Colinas de Golã. Enquanto o Hezbollah promete mais retaliações, o governo israelense afirmou que esta operação marca o início de uma “nova fase” na guerra.

Colapso do sistema de saúde libanês

No campo médico, os hospitais libaneses estão à beira de um colapso. A explosão dos dispositivos de comunicação sobrecarregou os hospitais com milhares de feridos, muitos deles com lesões graves nos olhos e nas mãos. Estamos lidando com um tipo de guerra completamente novo”, afirmou Sami Rizk, diretor do LAU Medical Center. A sobrecarga no sistema hospitalar, que já enfrentava dificuldades devido à crise econômica e à explosão no porto de Beirute em 2020, preocupa as autoridades de saúde do país.

Firass Abiad, ministro da saúde do Líbano, destacou a resiliência do sistema de saúde libanês, que tem sido testado por crises consecutivas. Contudo, Abiad também expressou cautela sobre o futuro, já que a guerra com Israel parece se intensificar.

A comunidade internacional, incluindo o Reino Unido, já começou a evacuar seus cidadãos, temendo uma deterioração ainda mais rápida da situação.

Perspectivas futuras

O assassinato de um dos principais líderes do Hezbollah pode desencadear uma nova fase no já complexo conflito entre Israel e o grupo. Ao que tudo indica, o Líbano continuará sendo um dos principais palcos dessa guerra de poder, onde a população civil sofre os maiores impactos. Resta saber se a comunidade internacional terá alguma influência para frear essa escalada ou se o conflito caminha para uma guerra de maiores proporções.