Reino Unido hoje poder eleger o Partido Trabalhista, após 14 anos

O Reino Unido está imerso em um clima de expectativa enquanto milhões de eleitores se dirigem às urnas para participar das eleições gerais de 2024. Este pleito é visto como um ponto de inflexão, com a possibilidade de encerrar o domínio dos Conservadores de Rishi Sunak e inaugurar a era de Keir Starmer como primeiro-ministro, representando o Partido Trabalhista, após um jejum de 14 anos da “esquerda” britânica.

Desde cedo, líderes partidários foram vistos votando em suas respectivas localidades. O primeiro-ministro Rishi Sunak e sua esposa, Akshata Murty, foram fotografados após votarem, com Sunak enfatizando a necessidade de evitar uma “supermaioria trabalhista”. Keir Starmer, líder trabalhista, também foi às urnas com sua esposa, Victoria, incentivando os eleitores a optarem pela mudança. Starmer destacou a visão de um Reino Unido avançando unido sob um governo trabalhista.

Além dos líderes dos principais partidos, outras figuras políticas também foram às urnas. O líder dos Liberal Democratas, Ed Davey, votou em Surbiton, enquanto John Swinney, primeiro-ministro da Escócia, e Rhun ap Iorwerth, líder do Plaid Cymru, marcaram presença em suas respectivas regiões.

As pesquisas de opinião indicam uma vantagem significativa para o Partido Trabalhista, mas a confirmação oficial virá apenas após a publicação das pesquisas de boca de urna, previstas para logo após o fechamento das urnas às 22h [2 horas na madrugada de sexta-feira, horário de Brasília]. Esse mecanismo envolve a consulta de dezenas de milhares de eleitores que são convidados a preencher uma réplica da cédula de votação ao saírem dos locais de votação, fornecendo uma estimativa preliminar do resultado.

Caso Starmer assuma como primeiro-ministro, será a primeira mudança de liderança do Reino Unido resultante de uma eleição geral desde 2010, quando David Cameron sucedeu Gordon Brown. Desde então, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss e o próprio Sunak chegaram ao poder por meio de mecanismos internos do Partido Conservador, e não por eleições gerais.

Os partidos políticos utilizaram intensamente as redes sociais para mobilizar os eleitores. O Partido Trabalhista, por exemplo, divulgou vídeos incentivando a participação nas urnas, com mensagens de que “nada está decidido ainda. A líder dos Verdes, Carla Denyer, também destacou o entusiasmo de seus apoiadores em Bristol, onde o partido espera conquistar uma das quatro cadeiras.

Em geral, a contagem dos votos no Reino Unido pode levar de cinco a oito horas, dependendo da circunscrição. Sunderland, famosa por ser a primeira a declarar seus resultados em várias eleições passadas, prepara-se novamente para essa corrida.

A contagem rápida é descrita como uma “operação militar”, coordenada meticulosamente por oficiais de contagem, que frequentemente recrutam contadores de bancos locais devido à sua habilidade com pequenos pedaços de papel, além de alunos do ensino médio para auxiliar no transporte das urnas.

O dia de votação no Reino Unido promete ser um marco na história política recente, com a possibilidade de uma transição significativa de poder. Enquanto os eleitores fazem suas escolhas, o mundo observa ansiosamente o desenrolar deste processo democrático. A confirmação dos resultados, esperada para as primeiras horas da manhã seguinte, trará respostas sobre o futuro político do país.

Tudo que você precisa saber sobre as eleições gerais no Reino Unido

Pesquisas indicam que o trabalhista Keir Starmer será o próximo primeiro-ministro do Reino Unido. Foto: reprodução/RRSS

Os britânicos vão às urnas nesta quinta-feira, 4 de julho de 2024, para eleger o próximo primeiro-ministro do Reino Unido. Com aproximadamente 46 milhões de eleitores aptos a votar, esta é a primeira eleição geral desde 2019. O pleito foi convocado pelo atual primeiro-ministro, Rishi Sunak, do Partido Conservador, em maio deste ano, resultando na dissolução do Parlamento britânico.

Data e contexto das eleições

No Reino Unido, o mandato político tem duração de cinco anos. Como o Partido Conservador venceu as últimas eleições em dezembro de 2019, a próxima eleição geral deveria ocorrer, por lei, até janeiro de 2025. O Reino Unido é dividido em 650 distritos eleitorais, e cada eleitor escolhe um deputado para representá-lo na Câmara dos Comuns.

Motivações para as eleições antecipadas

O primeiro-ministro Rishi Sunak convocou eleições antecipadas devido à queda nas pesquisas de opinião desde 2021. O editor de polícia da BBC News, Chris Mason, comenta que alguns políticos do partido acreditavam que a situação poderia piorar se a eleição fosse adiada. Sunak também pode alegar que alguns de seus objetivos foram alcançados, como a recente queda na inflação, considerada um sucesso econômico.

Panorama das pesquisas de opinião

As pesquisas de opinião mais recentes indicam que o Partido Conservador está atrás do Partido Trabalhista, liderado por Keir Starmer. Os trabalhistas mantêm uma vantagem constante nas intenções de voto, superando os 40% nas sondagens. O Reform UK, um partido de direita radical anti-imigração, está em terceiro lugar, mas enfrenta dificuldades para converter apoio em assentos no Parlamento. Os Liberal Democratas, consistentemente com cerca de 10% das intenções de voto, esperam obter ganhos ao focar em distritos específicos. Rishi Sunak enfrenta uma rejeição histórica de 71% entre os cidadãos britânicos.

Principais candidatos

Os dois principais partidos na disputa são o Partido Conservador, atualmente no poder, e o Partido Trabalhista. Rishi Sunak, de 44 anos, é o líder dos conservadores e se tornou primeiro-ministro em 2022, sendo o primeiro britânico-indiano a ocupar o cargo. Keir Starmer, de 61 anos, lidera os trabalhistas desde 2020 e é ex-chefe do Crown Prosecution Service (CPS).

Procedimentos pós-eleição

Após a contagem dos votos, o rei Charles III pedirá ao líder do partido com mais parlamentares que se torne primeiro-ministro e forme um governo. O líder do segundo maior partido se torna o líder da oposição. Se nenhum partido alcançar a maioria, poderá haver um Parlamento suspenso, levando à formação de um governo de coalizão ou minoritário.

Impacto do Brexit e divisão na centro-direita

O Brexit, embora pouco discutido nesta campanha, continua a influenciar a política britânica. A gestão controversa de ex-primeiros-ministros como Boris Johnson e Liz Truss contribuiu para a atual crise dos conservadores. O surgimento do Reform UK, um partido pró-Brexit liderado por Nigel Farage, com 17% das intenções de voto, fragmentou ainda mais a base da centro-direita.

Anthony Glees, professor emérito da Universidade de Buckingham, explica que o racha na centro-direita é um dos fatores principais para o fracasso conservador. Se somarmos os votos do Partido Conservador e do Reform UK, os trabalhistas estariam apenas três pontos percentuais à frente da centro-direita.

Promessas não cumpridas e a crise econômica

Sunak não conseguiu entregar as promessas feitas durante seu mandato. A imigração ilegal aumentou, os preços dispararam e a percepção de empobrecimento entre os britânicos cresceu. Além disso, mais de 60% dos eleitores consideram o Brexit um desastre total, apesar de Sunak orgulhar-se de ter defendido a saída da União Europeia.

Glees comenta que os britânicos esperam pouco de Starmer, exceto que ele não é Sunak e que seu partido não está dividido. A vitória dos trabalhistas pode trazer um suspiro de alívio ao país, exausto com os escândalos e a instabilidade dos últimos anos de governo conservador.

Some-se a isso tudo, a posição do Reino Unido na guerra da Ucrânia. O mergulho britânico no conflito tem gerado um custo econômico elevado, sobretudo nos preços do combustível e da energia, e, consequentemente, nos produtos de primeira necessidade.