- Pesquisa Datafolha mostra que o presidente tem mais apoio entre nordestinos, menos escolarizados e pobres
- Economia é principal fator de sustentação da popularidade do petista, diz pesquisa
- Lula volta ao governo para um terceiro mandato com menor aprovação do que em seus primeiros mandatos
- Comparação com Bolsonaro mostra que petista tem maior aprovação
- Fotografias não refletem o futuro político dos presidentes
Na reta final de seu primeiro ano de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém sua aprovação estável.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (7/12), o petista fecha 2023 com 38% de aprovação dos brasileiros, enquanto 30% consideram seu trabalho regular, e o mesmo número, ruim ou péssimo.
Os números se mostraram praticamente imutáveis ao longo das quatro aferições no mandato.
A única variação expressiva ocorreu entre junho e setembro, quando a reprovação subiu de 27% para 31%, ainda assim nada que caracterizasse um tombo.
O perfil da aprovação presidencial é bem homogêneo, com as nuances seguindo as linhas básicas da campanha eleitoral: é mais bem avaliado entre nordestinos (48%), entre quem tem menos escolaridade (50%) e entre os pobres (42%).
Na mesma linha, sua reprovação sobe a 39% entre os ricos (47%), os evangélicos (38%) e os sulistas (35%).
A economia é o principal fator de sustentação da popularidade de Lula, segundo o Datafolha.
A pesquisa mostra que 57% dos brasileiros acreditam que o presidente fez menos do que o esperado neste primeiro ano, mas 77% acham que o país está melhor do que há um ano.
O país fechou os três primeiros trimestres do ano com 7,6% de desemprego, e com 100,2 milhões de pessoas com alguma atividade remunerada.
A inflação também está sob controle, com alta acumulada de 10,67% em 12 meses.
Lula volta ao governo para um inédito terceiro mandato após ter liderado o Brasil de 2003 a 2010.
Tal condição, como os números mostram, lhe tirou o frescor de novidade política e o levou a não repetir o desempenho de seu primeiro mandato: no fim de 2003, ele tinha 42% de ótimo/bom, 41% de regular e 15%, de ruim/péssimo.
Números semelhantes tinha Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao fechar 1995, enquanto Dilma Rousseff (PT) marcava 59% de aprovação, 33% de regular e 6%, de reprovação em 2011.
Em relação a eleitos pela primeira vez à mesma altura do mandato, Lula supera bem Fernando Collor (PRN), que em 1991 tinha só 23% de ótimo/bom, 40% de regular e 34%, de ruim/péssimo.
Já na comparação direta com Bolsonaro, que segue sendo seu maior opositor político até pela conveniência que a polarização traz ao petista, Lula se sai melhor.
No fim de seu primeiro ano, quando não havia começado o período mais agudo da gestão, o então presidente tinha 30% de aprovação, 32% de avaliação regular e 36% de ruim/péssimo.
Os dados são fotografias, por óbvio.
FHC e Dilma foram reeleitos, mas a sucessora de Lula acabou sofrendo impeachment em 2016, assim como Collor renunciou em 1992 para evitar o mesmo destino.
E o criticado Bolsonaro quase venceu Lula no ano passado, perdendo o segundo turno por apenas 1,8 ponto percentual.
A aprovação de Lula fecha 2023 estável, mas abaixo do esperado para um presidente que venceu as eleições com 50,9% dos votos.
A economia é o principal fator de sustentação da popularidade do petista, mas a falta de novas marcas e a avaliação negativa de seu desempenho até o momento podem dificultar sua reeleição em 2026.
A comparação com Bolsonaro é favorável a Lula, mas o ex-presidente não pode se acomodar com a vantagem atual.
O cenário político ainda é imprevisível e o futuro do país dependerá de uma série de fatores, incluindo a evolução da economia, a resposta do governo à pandemia de covid-19 e a dinâmica do debate eleitoral.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




