Alexandre Curi marca conversa final com Ratinho antes de cruzar o Rubicão

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), entrou na fase decisiva de sua guerra de posição dentro do grupo governista. Segundo apuração do Blog do Esmael, ele avisou aliados que terá uma conversa definitiva com o governador Ratinho Junior (PSD) na sexta-feira (20), antes de bater o martelo sobre uma eventual saída do PSD na janela partidária aberta pela Justiça Eleitoral entre 5 de março e 3 de abril.

A imagem do Rubicão ajuda a entender o tamanho do movimento. Na Roma antiga, cruzar esse rio significava romper a linha de retorno e assumir o risco do confronto aberto. Na política do Paraná, atravessar o Rubicão, para Curi, seria deixar o partido do governador e migrar para o Republicanos, num gesto que mudaria o eixo da sucessão de 2026.

Não se trata apenas de troca de sigla.

Trata-se de um recado político.

Se Curi sair, o bloco hoje abrigado no PSD deixa de funcionar como condomínio relativamente estável e passa a operar em lógica de disputa explícita pela herança de Ratinho Junior. O movimento também abriria espaço para uma composição com o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, hoje secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável, outro nome que circula como peça relevante no quebra-cabeça sucessório.

Nos bastidores, essa costura é lida como reação ao favoritismo interno de Guto Silva, atual secretário das Cidades, visto por parte do entorno palaciano como nome preferencial do governador para a corrida ao Palácio Iguaçu.

Mas a história pode não parar aí.

O Blog do Esmael apurou que Ratinho Junior trabalha também com uma alternativa fora do circuito partidário mais óbvio, um “tertius” capaz de reorganizar a chapa governista e desarmar a colisão direta entre seus aliados. Entre os nomes lembrados está Dilvo Grolli, diretor-presidente da Coopavel e liderança de peso do agronegócio paranaense, com forte projeção no Oeste e presença consolidada no Show Rural, uma das maiores vitrines do setor na América Latina.

Nesse arranjo, que hoje corre em voz baixa e ainda depende de muitas variáveis, Dilvo poderia disputar o governo, Greca entraria como vice e Alexandre Curi tentaria o Senado. Guto Silva, por sua vez, seria deslocado para uma função estratégica mais ampla, a coordenação da eventual campanha presidencial de Ratinho Junior.

É aí que a conversa de sexta-feira ganha peso real.

Ela não será uma conversa protocolar entre correligionários.

Será, na prática, uma negociação sobre lealdade, espaço, futuro e sobrevivência política. Ratinho Junior sabe que a janela partidária não é só um prazo formal. É o momento em que projetos reprimidos saem da sombra e cobram definição. O próprio TSE deixou claro que a janela de 2026 vale para deputados estaduais, federais e distritais até 3 de abril, data-limite para quem quiser mudar de legenda sem perder o mandato.

Para Curi, a decisão tem custo e oportunidade.

Ficar no PSD pode significar preservar a relação institucional com o governador, mas correr o risco de ser empurrado para uma faixa secundária da sucessão. Sair para o Republicanos, ao contrário, transformaria a insatisfação em gesto de autonomia, porém com preço alto: o rompimento deixaria de ser cochicho de bastidor e viraria fato consumado no coração da base governista.

Greca observa esse xadrez com interesse. Com experiência administrativa, recall em Curitiba e trânsito entre setores empresariais e políticos, ele se tornou uma peça valiosa para qualquer montagem de chapa. O problema é que seu movimento também depende do desfecho dessa conversa entre Curi e Ratinho.

No fundo, o que está em jogo não é apenas quem será candidato em 2026.

O que se decide agora é quem terá o direito de falar em nome da continuidade do governo Ratinho, quem herdará sua base e quem ficará com a máquina narrativa do grupo. Quando um aliado precisa de uma última conversa antes de trocar de partido, o problema já não é de agenda. É de ruptura iminente.

A sexta-feira pode não produzir anúncio público imediato. Mas tende a indicar se Alexandre Curi seguirá no campo do governador ou se fará a travessia que muda, de uma vez, a correlação de forças no Paraná. O Rubicão, neste caso, não é metáfora literária. É prazo eleitoral, cálculo de poder e disputa sem retorno. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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