O senador Sergio Moro (União-PR) se reúne nesta quarta-feira (18) com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e com o senador Rogério Marinho (PL-RN), em Brasília, num movimento que já sacode a corrida de 2026 no Paraná. Mais do que uma eventual troca de partido, a conversa expõe uma mudança de eixo na direita paranaense: Moro passa a flertar abertamente com o campo bolsonarista, enquanto o PL endurece contra o projeto nacional do governador Ratinho Junior (PSD).
O recado político é forte, como já anteciou ontem (17) o Blog do Esmael.
Se avançar, a operação pode dar ao PL um candidato competitivo ao Palácio Iguaçu e, de quebra, um palanque para Flávio Bolsonaro no Paraná. Foi exatamente esse desenho que entrou na mesa nas conversas preliminares: o partido sinalizou a Moro a possibilidade de legenda para disputar o governo estadual, algo que hoje não aparece como garantido no União Brasil.
Até pouco tempo atrás, esse arranjo soaria improvável.
Moro construiu sua trajetória recente tentando manter uma faixa própria na oposição, sem se fundir de vez ao bolsonarismo. Agora, a necessidade eleitoral parece falar mais alto. O PL quer organizar palanques estaduais para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e enxerga no ex-juiz um ativo eleitoral pronto no Paraná.
Embora o arranjo com Moro suscite resistências do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, o movimento pressiona diretamente Ratinho Junior.
Nas últimas semanas, Rogério Marinho já havia conversado com o governador sobre uma possível composição nacional, mas o ambiente azedou. Segundo relatos publicados pelo Blog do Esmael, o PL deixou claro que não pretende fechar aliança automática com o PSD no estado caso Ratinho insista no projeto presidencial. Nesse cenário, aproximar-se de Moro vira também uma forma de enquadrar o grupo palaciano paranaense.
No Paraná, o efeito é imediato.
A sucessão deixa de ser apenas uma disputa entre herdeiros do ratinhismo, nomes do campo governista e candidaturas já testadas. Com Moro sentado à mesa do PL, a direita entra em rearranjo aberto. O ex-juiz deixa de ser apenas pré-candidato forte nas pesquisas e passa a ser peça central de uma negociação que mistura governo estadual, palanque presidencial e controle do eleitorado conservador.
Os números ajudam a explicar o assédio.
Pesquisa divulgada na semana passada mostrou Moro na liderança em cenários de primeiro turno para o governo do Paraná. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, contratado pelo próprio PL, registrou o senador à frente na disputa, reforçando por que a legenda passou a tratá-lo como prioridade estratégica.
Para o União Brasil, a reunião desta quarta-feira acende um alerta.
Se Moro sentir que não terá legenda segura ou estrutura competitiva, a travessia para o PL deixa de ser mera especulação. E isso muda o mapa das alianças, porque o partido de Bolsonaro passa a dialogar com um nome que até ontem orbitava outra prateleira da oposição. Não é pouca coisa num estado que terá peso nacional em 2026.
O encontro desta manhã, portanto, vale mais do que uma foto de bastidor.
Ele pode marcar o início de uma nova correlação de forças no Paraná, com reflexo em Brasília. Se Moro embarcar no PL, Ratinho perde margem de manobra, o bolsonarismo ganha musculatura regional e a disputa pelo governo entra de vez em modo de confronto aberto. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




