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A manchete da Folha de S.Paulo sobre a decisão de Flávio Dino no STF, nesta terça-feira (19), mais parece uma reunião de diretoria do sistema financeiro do que jornalismo político.
A manchete da Folha de S.Paulo “STF se divide sobre ação de Dino para blindar Moraes, e ala vê falta de firmeza de bancos” soa menos como notícia e mais como recomendação de analista financeiro.
O problema começa na escolha das palavras.
“Blindar” sugere proteção pessoal suspeita, não defesa institucional da soberania.
“STF se divide” cria o frame de crise permanente na Corte, ainda que a divergência seja técnica.
E a expressão “falta de firmeza de bancos” desloca o centro do debate.
Não se trata mais de Constituição ou independência nacional, mas de expectativas da Faria Lima.
Em outras palavras, a Folha estrutura um título que editorializa sob aparência de informação, colocando o sistema financeiro como árbitro legítimo do Supremo Tribunal Federal.
O papel de Flávio Dino
O ministro do STF Flávio Dino decidiu que leis e ordens administrativas estrangeiras não produzem efeitos no Brasil.
O gesto barrou a tentativa de aplicar a chamada Lei Magnitsky, que prevê punições financeiras contra autoridades acusadas pelos EUA de supostas violações.
Para Dino, permitir esse tipo de interferência seria subordinar a soberania nacional ao “capricho de terceiros”.
A reação da velha mídia
O curioso é que a Folha transformou um debate de soberania em uma espécie de call de mercado.
O jornal fala de “falta de firmeza de bancos”, cita a queda de ações financeiras e mistura com a divisão interna do STF.
O resultado é um híbrido de editorial disfarçado, em que a defesa dos interesses da Faria Lima se sobrepõe à informação jornalística.
Bastidores do embate institucional
Nos bastidores, a decisão de Dino mira o recado político.
Reafirma que o STF não se dobrará à pressão externa, ainda que isso contrarie setores dos oligarcas, que reúnem executivos do sistema financeiro e barões da velha mídia.
Zanin, por exemplo, vinha defendendo cautela e diálogo institucional, mas a decisão foi vencedora.
Divergências internas existem, mas não nos termos de “balanço de ações”, e sim de estratégia jurídica e política.
Folha é um banco
O episódio mostra como parte da imprensa brasileira, em vez de mediar o debate democrático, atua como extensão do sistema financeiro, que especula sem parar, sempre em busca de mais lucro, mesmo que isso represente risco à soberania nacional.
Ao tratar o STF como se fosse mais um conselho de administração de banco, a Folha apenas confirma o lugar que escolheu no jogo político.
Leia também no Blog do Esmael: Lula reage às sanções dos EUA e defende Moraes; Bancos perdem o rumo após Dino barrar sanções de Trump a Moraes; Bancos e igrejas caçam o 13º, enquanto povo busca felicidade

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




