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Os banqueiros querem agora sugar o sangue da saúde dos brasileiros

O encontro fechado entre o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a cúpula da Febraban, realizado quinta-feira (7) na sede da entidade, em São Paulo, é mais do que uma agenda protocolar. É um sinal preocupante de que o sistema financeiro, ávido por novas frentes de lucro, está de olho em um dos maiores patrimônios sociais do país: o Sistema Único de Saúde (SUS).

O pretexto, apresentado como “aproximação de setores”, embala em linguagem neutra a tentativa de aprofundar parcerias com bancos e operadoras de planos privados. Na pauta, projetos como o “Mais Acesso a Especialistas” e investimentos em saúde complementar, seguros, fármacos e equipamentos. O histórico, porém, mostra que essas portas, quando abertas, raramente se fecham a favor do interesse público.

O Blog do Esmael já alertou, em diversas ocasiões, que a saúde não é mercadoria. Ela é um direito humano fundamental, inscrito na Constituição Federal como universal, gratuito e integral. Qualquer movimento que fragilize esses pilares — seja por privatização direta, terceirização silenciosa ou captura pelo capital financeiro — mina o pacto social firmado em 1988.

O Brasil não pode seguir a rota dos Estados Unidos, onde o acesso à saúde é refém de seguros caríssimos e milhões ficam sem atendimento por não poder pagar. Importar esse modelo é condenar o país a um sistema desigual, em que viver ou morrer depende do saldo bancário.

O Planalto, se de fato deseja proteger o SUS, precisa estabelecer um limite claro para a relação com oligarquias financeiras e setores da velha mídia corporativa, que atuam como porta-vozes desse lobby. Essa aproximação promíscua enfraquece a política pública e submete a saúde coletiva à lógica do lucro.

A defesa do SUS não é apenas uma pauta ideológica: é uma questão de soberania, de dignidade e de sobrevivência. Uma nação que entrega sua saúde ao mercado abdica de cuidar de seu povo. E a história recente mostra que, quando os bancos entram para “gerir” políticas sociais, os beneficiados raramente são os cidadãos mais vulneráveis.

O Brasil já tem uma rede robusta e reconhecida de atenção básica, hospitais públicos e programas que inspiram o mundo. Ao invés de terceirizar o atendimento e abrir espaço para a especulação, o caminho é investir no fortalecimento direto do SUS, com mais profissionais, mais infraestrutura e gestão pública transparente.

Saúde não é ativo financeiro. É um direito. E direito não se vende. Se defende.

A saúde é o último bastião da dignidade. Sem um SUS forte, gratuito e universal, a vida de milhões de brasileiros será entregue ao mercado, onde o preço se mede em lucros e não em vidas salvas.

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