O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, irá manter o ritual que irrita a sociedade, não os mais ricos. Nesta segunda-feira (24), com a taxa básica estacionada em 15%, ele vai ao almoço anual da Febraban no Hotel Unique, em São Paulo, para apresentar o balanço de 2025 e as projeções de 2026 diante dos oligarcas da Faria Lima.
O Copom, que Galípolo preside, decidiu manter a Selic no patamar sufocante de 15%. Para trabalhadores, indústria e pequenos empreendedores, o aperto continua. Para os rentistas, estabilidade garante mais um ciclo de ganhos fáceis. A contradição se expõe antes mesmo do almoço: uma autoridade que deveria prestar contas à sociedade prefere a sala refrigerada dos banqueiros.
O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, estará ao lado de Galípolo no encontro. Juntam-se a eles as ministras Simone Tebet, do Planejamento, e Esther Dweck, da Gestão. A Febraban vende o evento como um “grande fórum de líderes bancários”, mas o Brasil real enxerga outra coisa, um BC mais atento ao buffet do que ao emprego, à vida e ao crédito das famílias.
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, e o presidente do conselho da entidade, Luiz Carlos Trabuco, receberão cerca de 400 convidados, entre CEOs e executivos do sistema financeiro. A imprensa terá acesso restrito, confinada a uma sala com telão, longe da mesa onde circulam informações sensíveis e decisões que engordam as burras desses oligarcas do sistema financeiro e da velha mídia corporativa.
Economistas próximos aos banqueiros já comemoram a manutenção dos 15% como sinal de “responsabilidade”, palavra que, nesse contexto, significa apenas acomodar os desejos da Faria Lima. Dentro do governo, porém, cresce a avaliação de que o BC insiste em postura política, travando o crescimento em nome de uma ortodoxia que não dialoga com o povo.
Amanhã, quando as câmeras transmitirem o evento pela plataforma Febraban Tech, a imagem será pedagógica: enquanto milhões lutam para pagar juros abusivos no cartão, na dívida e no crédito pessoal, o topo do sistema financeiro estará reunido em um dos hotéis mais luxuosos de São Paulo, brindando decisões tomadas por um Banco Central que se diz autônomo, mas age como subordinado.
O gesto do BC reforça a velha pergunta que atravessa Brasília: autônomo de quem? Amanhã promete mais um capítulo dessa autonomia seletiva, sempre inclinada aos interesses dos oligarcas, nunca às urgências da sociedade.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




