O governador Ratinho Junior (PSD) certamente não esperava pelo revés que sofreu neste domingo (6) em Cornélio Procópio, no Norte Pioneiro do Paraná, a 398 km de Curitiba.
A candidata apoiada pelo inquilino do Palácio Iguaçu, Angélica Olchaneski (PSD), foi derrotada pelo advogado oposcionista Raphael Sampaio (PP), que conquistou 52,32% dos votos válidos, contra 34,07% da adversária.
Mas quem é o estrategista por trás dessa virada política?
Conhecido como “Obama das Araucárias” pela semelhança física com o ex-presidente americano, o líder sindical Messias da Silva foi o grande artífice da chamada “Geringonça procopense”.
Radicado há décadas em Curitiba, o ilustre procopense Obama incentivou Sampaio a compor chapa com o ex-deputado Hermes Fonseca Filho, que há 18 anos trocou o PT pelo MDB.
Hermes, que já havia sido prefeito da cidade em 1982 pelo então PMDB, voltou à cena política como vice na chapa vitoriosa.
A aliança inusitada entre PP, MDB, PSB e Solidariedade desbancou não só o governador, mas também forças tradicionais locais como o prefeito Amin Hannouche (PSD) e o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD).
A eleição em Cornélio Procópio, município com 27.508 eleitores válidos, teve uma abstenção de 23,39%, indicando um certo descontentamento ou apatia do eleitorado.
Mesmo assim, a “Geringonça do Obama” conseguiu mobilizar uma maioria significativa, sinalizando que estratégias bem articuladas podem superar máquinas políticas estabelecidas.
O sucesso retumbante de Messias da Silva não passou despercebido na capital.
Com o segundo turno em Curitiba prometendo ser acirrado entre Eduardo Pimentel (PSD) e Cristina Graeml (PMB), ambas as campanhas já sondam o “Obama das Araucárias” como uma possível arma secreta.

Afinal, quem não gostaria de contar com um estrategista capaz de virar o jogo contra o próprio governador?
Enquanto isso, Ratinho Junior terá que lidar com as consequências políticas dessa derrota simbólica.
Perder em Cornélio Procópio não é apenas uma questão local; é um alerta de que alianças pouco convencionais podem desafiar o status quo, mesmo em redutos considerados seguros.
Raphael Sampaio, de 51 anos, assume agora a missão de governar Cornélio Procópio ao lado de Hermes Fonseca, de 80 anos.
Com um patrimônio declarado de R$ 2,4 milhões, o advogado tem pela frente o desafio de corresponder às expectativas geradas pela vitória surpreendente.
No fim das contas, a política é mesmo uma caixinha de surpresas.
E pelo visto, em tempos de “geringonças” e Obamas tupiniquins, ninguém está completamente seguro em seu trono.
Resta saber quais serão os próximos capítulos dessa novela paranaense que, convenhamos, está longe de ser monótona.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




