Ratinho Junior vende 'terreno na Lua' para partidos, dizem líderes

Ratinho Junior vende ‘terreno na Lua’ para partidos, dizem líderes

A romaria de prefeitos, deputados e dirigentes partidários à casa do ex-governador Roberto Requião (MDB) tem um motivo: o atual mandatário estadual, Ratinho Junior (PSD), tem vendido ‘terreno na Lua’ ao prometer “candidatos escada” para todas as legendas que o procuraram. O problema é que o governador não tem como entregar o que vende, o que causa descontentamentos.

O “candidato escada” surgiu no mundo político com o fim das coligações na proporcional. Ou seja, o partido precisa atingir o quociente sozinho para eleger um deputado. Por isso a soma de candidaturas médias dentro da sigla ajudaria os principais nomes. Em 2022, essa novidade será experimentada pela primeira vez nas eleições de deputados estaduais, federais e distritais.

O “candidato escada” é aquele que tem até um limite de votos, não suficiente para garantir uma cadeira no parlamento. Geralmente, são lideranças médias com 15 ou 20 mil votos. Essa votação, no entanto, ajudaria na ‘cesta de votos’ do quociente eleitoral.

Para eleger um deputado à Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), por exemplo, serão necessários 111 mil votos válidos [descontando brancos e nulos] para cada vaga no partido, enquanto que à Câmara são necessários 200 mil votos válidos para cada cadeira.

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“O Ratinho está vendendo ‘terreno na Lua’ para todos os partido, mas como não tem tonto nesse ramo, os líderes estão procurando o Requião como alternativa”, disse ao Blog do Esmael um importante dirigente, que ajudou eleger o governador em 2018.

Roberto Requião, por sua vez, vai disputar no sábado (31/7) a convenção de seu partido ao qual está filiado há mais de 40 anos pela chapa “Sempre MDB”. Se não vencer o conclave, ele já avisou que ingressará no PSB para concorrer o governo do Paraná no ano que vem.

Mesmo ainda sem um partido definido, Requião conseguiu reunir lideranças de mais de 16 partidos por meio da “Geringonça“, que discute propostas de recuperação do Paraná. O movimento lançado no começo de 2021 discute a importância das empresas públicas, redução do pedágio, tarifas de água e luz módicas para retomar o desenvolvimento econômico do estado, por exemplo.

“Ou seja, Requião se transformou em representante de uma pré-candidatura programática, a partir de ideias, em contraste com Ratinho que tenta vender terreno na Lua”, completou o dirigente que abandonou o inquilino do Palácio Iguaçu para aderir à “Geringonça” do ainda emedebista.