marcelo queiroga

CPI da Covid questiona: por que governo Bolsonaro recusou 11 vezes ofertas para compras de vacina?

  • Queiroga e diretor da Anvisa depõem na CPI da Pandemia nesta quinta-feira
  • Blog do Esmael transmite sessão da comissão de inquérito ao vivo às 10h

Após os depoimentos dos dois primeiros ministros da Saúde do governo do presidente Jair Bolsonaro, a CPI da Pandemia recebe nesta quinta-feira (6/5) o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, às 10h, e o diretor-presidente da Agência de Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, às 14h. O Blog do Esmael transmite as sessões da comissão de inquérito ao vivo.

Marcelo Queiroga está à frente do Ministério da Saúde desde 23 de março deste ano. O médico cardiologista assumiu o cargo com o desafio de chefiar a pasta no pior momento da pandemia no país, quando se somavam cerca de 300 mil mortes no Brasil.

O ministro é fortemente cobrado pela vacinação em massa da população. Há poucos dias, em 26 de abril, Queiroga participou de audiência pública da Comissão Temporária da Covid-19 (CTCOVID19).

À época, Queiroga afirmou que o governo não reduziu suas metas iniciais de imunização, apenas retirou do cronograma vacinas que ainda não foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como a indiana Covaxin, que inicialmente teria previsão de 20 milhões de doses em calendário do Ministério da Saúde.

CPI da Covid ao vivo – depoimento de Queiroga

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Quatro requerimentos de convocação, de autoria do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), do vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Eduardo Girão foram aprovados pelo colegiado para o testemunho do atual titular da Saúde.

Para Randolfe, a constante troca de ministros da Saúde em meio à pandemia é, por si só, um enorme problema para a gestão do ministério.

“Só foi possível chegar a essa situação catastrófica por conta dos inúmeros e sucessivos erros e omissões do governo no enfrentamento da pandemia da covid-19 no Brasil. O senhor Marcelo Queiroga pode ajudar esta comissão parlamentar de inquérito a elucidar se o Brasil segue no mesmo caminho de erros nesta tragédia que vivemos”, expõe o senador em sua justificação.

Por que governo recusou 11 ofertas de vacinas?

Os senadores deverão questionar o ministro da Saúde sobre o motivo de o governo brasileiro ter recusado onze ofertas formais de fornecimento de vacinas contra a Covid.

Os senadores da CPI acreditam que o número de recusas para a compra de vacina ainda pode ser maior.

Os casos de recusa mais famosos são aos laboratórios Pfizer (70 milhões de doses) e Coronavac (100 milhões de doses), inclusive com desprezo ao Instituto Butantan de São Paulo.

O governo Bolsonaro também recusou ao convite para participar do consórcio Covax Facility liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil só aderiu no terceiro convite para aquisição de 212 milhões de doses.

Liberação de vacinas

Na tarde desta quinta, os senadores ouvirão o depoimento do diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. A expectativa dos parlamentares é de que ele fale sobre os processos de liberação de imunizantes contra a covid-19, assim como o recente processo que culminou com a negativa do registro da vacina Sputnik V.

Assim como os senadores Alessandro, Girão, Randolfe e Renan, Angelo Coronel (PSD-BA) também endossa a autoria dos requerimentos de convocação do diretor-presidente da Anvisa.

Contra-almirante e também formado em medicina, Barra Torres tem o primeiro mandato como diretor-presidente da agência, de novembro de 2020 a dezembro de 2024.

Em 4 de março deste ano, Barra Torres esteve em sessão temática no Plenário do Senado para debater o andamento da imunização contra a covid-19 e os processos de aprovação de vacinas. Ele afirmou que o prazo da agência para aprovar o uso emergencial de vacinas é o “mais rápido do mundo”.