Volta às aulas no olho do furacão

Por Arilson Chiorato*

No fim da semana passada o Governador anunciou a volta às aulas no Paraná. Depois de quase um ano de escolas fechadas, algumas particulares chegaram a funcionar presencialmente em determinados momentos da pandemia. A pressão das escolas particulares e de alguns movimentos pela abertura das escolas já vêm acontecendo há alguns meses.

É difícil compreender como o Governo cedeu a essa pressão justamente no momento em que o estado e o país enfrentam o momento mais crítico desde o início da pandemia. Enquanto o Paraná está sobre decreto de Lockdown, o Governador anuncia a volta às aulas.

Muitas escolas particulares possuem condições estruturais e também profissionais para garantir o distanciamento social, porém não é a realidade da maioria das escolas do estado. Quem conhece a realidade da escola pública, desde as estruturas físicas até a superlotação das turmas, sabe que a volta às aulas representa alto perigo de contágio. Não é aceitável a volta às aulas sem vacinação e ainda mais com o agravante de ser durante o momento mais delicado da pandemia.

O momento que estamos vivendo não pode ser naturalizado, não podemos nutrir esse tipo de pensamento que releva a morte de milhares de pessoas. Os argumentos para a volta às aulas são válidos, devemos nos preocupar com a falta de socialização das nossas crianças e jovens, com a educação que fica prejudicada à distância, com as mães trabalhadoras que têm dificuldade em cuidar das crianças.

Mas nessa situação precisamos estar cientes de que existem coisas remediáveis e coisas que não têm volta. Todos estamos sofrendo com a pandemia, seja pela ausência da escola enquanto ambiente formativo e de socialização, seja pelo acúmulo de trabalho, pelo desemprego, pelas empresas com dificuldades financeiras.

Defendo enquanto cidadão e deputado que os Governos Estadual e Federal deveriam investir em benefícios até o fim da pandemia, não como aconteceu, apenas nos primeiros meses e ainda dificultando o acesso aos benefícios oferecidos. Esta deve ser nossa bandeira de luta, a defesa de políticas socioeconômicas e que garantam a dignidade dos paranaenses e brasileiros. Apenas as medidas emergenciais e a vacinação em massa poderão resgatar a nossa sociedade da situação de calamidade pública. Estabelecer a prioridade é fundamental para que possamos centrar força em uma pauta que diz respeito a toda a sociedade.

O que não é remediável são as mais de 265 mil mortes por COVID-19, o que não é remediável é a dor dos familiares que não puderam se despedir de seus entes queridos. O que não é remediável são os filhos que ficaram sem mãe e pai e os pais que perderam seus filhos. Dito isso, enfatizo que apenas com a vacina as escolas devem voltar a funcionar.

Mas podem dizer que a volta às aulas é opcional, e de fato é mesmo. O que não é opcional é a exposição ao vírus dos profissionais da educação e que, estes sim, não poderão optar por estar ou não presencialmente nas escolas, serão obrigados. É opcional a decisão do Governo de aumentar linha de contágio enquanto não temos mais leitos hospitalares. O que infelizmente não é uma opção é a decisão em se contaminar, assim como de morrer ou viver.

*Arilson Chiorato é Deputado Estadual, Presidente do PT – Paraná e Mestre em Gestão Urbana pela PUC-PR. Coordenador da Frente Parlamentar sobre o Pedágio.